A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 04/11/2020

A uberização do trabalho , refere-se a um novo estágio da exploração do trabalho, que traz mudanças qualitativas ao estatuto do trabalhador, à configuração das empresas, assim como às formas de controle, gerenciamento e expropriação do trabalho. No Brasil, esse processo consiste no trabalho autônomo o qual está desprovido de direitos trabalhistas, além disso vê-se a desigualdade de gênero dentro dessa modalidade de trabalho.

Nos últimos anos, a crise econômica e o alto índice de desemprego contribuiu para que o número de trabalhadores de aplicativos aumentassem exponencialmente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que trabalha como motoristas de aplicativo, taxistas e motoristas e trocadores de ônibus, aumentou em 2018, esse aumento foi o maior desde 2012.

Para muitos especialistas, a uberização é sinônimo de precarização do trabalho. Isso porque, por não serem contratados formalmente, os trabalhadores por aplicativos não têm direitos ou garantias trabalhistas, como auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social. E com um número cada vez maior de trabalhadores autônomos nesse setor, os ganhos por serviços diminuíram, pois para receber a mesma quantia que ganhava há um ano, um entregador por aplicativo, precisa realizar o dobro de entregas.

Portanto, para que a precarização do trabalho deixe de causar impactos na vida do trabalhador, cabe ao Poder Legislativo realizar um projeto de lei de regulamentação dos serviços prestados via plataformas digitas, por meio de regras a serem seguidas pelas empresas e com aplicação de multas em casos de violação dessas. Desse modo, aderindo parte dos direitos trabalhistas a fim de garantir um suporte ao trabalhador e por fim equiparar os lucros obtidos e as oportunidades de serviços entre homens e mulheres.