A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 03/11/2020
“A mudança em todas as coisas é desejável”, frase do filósofo grego Aristóteles. Essa citação pode ser aplicada à sociedade atual, que ao se ver moldada em uma rotina já precarizada de transporte, a inova com uma novo jeito de locomoção atualizada e condizente com essa era tecnológica. Entretanto, abre mão de leis trabalhistas e prejudica mais o meio ambiente ao se normalizar e expandir esse cenário.
Em primeiro lugar, a “uberização” contribui com a poluição visual e ambiental, o que gera mais problemas para a saúde da população nas cidades. Com a utilização excessiva de carros e apoio à transportes individualistas, a sociedade se mostra cada vez mais aversa ao espírito de coletividade, por estarem em sua própria bolha sem olharem para as necessidades da cidade, e sua infraestrutura, que é precarizada e não acompanha todas as exigências que são precisas nessa nova conjuntura que é estressante no trânsito e para a saúde. E também, acarreta em mais problemas de saúde públicas, como asma, bronquite e outras, que são geradas principalmente por causa da poluição do ar e o contato direito com ela todos os dias. Assim, é indispensável que haja uma reforma nesse cenário e problemática que se agrava todos os dias.
Em segundo lugar, com essa nova autonomia de locomoção, aliada com as novas tecnologias, geram perturbações sociais de segurança. Os transportes individuais apesar de oferecerem mais liberdade para os indivíduos exercerem seus direitos de ir e vir, se contrapõe a leis trabalhistas que garantem sua segurança na cidade, por muitas vezes não seguirem a regulamentação correta só para terem um salário no fim do mês. Constantemente as pessoas se submetem a isso devido a falta de empregos e oportunidades de carteira assinada nos estados ou por precisarem de uma outra garantia extra de renda para viver, e assim, veem a “uberização” como uma alternativa para as dificuldades que enfrentam, mesmo colocando em risco suas vidas.
Portanto a “uberização” do trabalho na era tecnológica é sinônimo de precarização e liberdade atualmente, por isso deve ser analisada e discutida para ser uma alternativa, não uma necessidade. Dessa forma, cabe ao Governo Federal por meio de um projeto de lei, aliada às empresas estatais oferecerem mais variação de trabalhos na sociedade acessíveis para aqueles que precisem, junto com áreas recreativas para fabricação e venda de objetos artesanais, para que assim, as pessoas tenham outras opções e seguras para trabalhar. E também, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente, promover políticas públicas de incentivo ao uso de transportes coletivos, para que a sociedade polua menos e facilite a locomoção nas grandes cidades, e melhore as condições de saúde pública.