A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 03/11/2020
Sob a perspectiva histórica, é evidente que a cada dia que passa há um avanço técnico-científico-informacional na sociedade. Entretanto, a uberização do trabalho na era tecnológica gera uma dúvida no raciocínio do ser pensante. Embora a autonomia do entregador de aplicativo seja vista como liberdade, é notório que há uma forte precarização no que diz respeito aos direitos trabalhistas, contribuindo para que, ao invés de haver um avanço, haja um regresso significativo na política social.
Em primeiro lugar, a extensa carga horária de trabalho aliada a má remuneração são fatores que contradizem a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). De acordo com uma reportagem produzida pelo Jornal da Record, entregadores de aplicativo ultrapassam as oito horas diárias para garantir o sustento de sua família, e ainda assim não alcançam dinheiro suficiente para sair da zona de precariedade, aumentando ainda mais a desigualdade social no Brasil.
Em segundo lugar, o fato desse tipo de trabalho ter uma baixa remuneração ao proletariado faz com que a exploração por parte de grandes empresas aumente exponencialmente sobre a classe operária. Com base no infográfico feito pela rede pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), há uma grande demanda de funcionários dispostos a esse tipo de trabalho por consequência do desrespeito para com a CLT. Assim sendo, a pequena quantidade de entregadores e a alta parcela de pedidos geram um saldo negativo na conta da empresa e outro mais ainda na mesa do trabalhador.
Portanto, é mister que os donos de grandes empresas tomem providências para melhorar o quadro atual. Para que haja o progresso tecnológico na melhora da condição de exploração da classe operária, com foco nos entregadores de aplicativo, urge que o alto escalão das empresas dentro do território brasileiro faça uma reformulação nos contratos, garantindo ao proletariado todos os direitos inclusos na CLT e na Constituição, por meio de reuniões e afins. Para que assim, a liberdade e autonomia sejam alcançadas sem a precarização.