A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 03/11/2020
A Terceira Revolução Industrial, iniciada na década de 1970, trouxe mudanças em vários setores da sociedade e, em especial, no âmbito empregatício. Por conseguinte, é possível notar uma crescente precarização das relações de trabalho contemporâneas, uma vez que as legislações trabalhistas tornaram-se frágeis em muitos países e a ascensão de aplicativos de entrega contribuiu para o processo de objetificação do trabalhador.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o recente desmonte da legislação trabalhista é prejudicial aos funcionários hodiernos. Isso acontece porque, quanto mais concessivas e liberais forem as leis, maior será a chance de os trabalhadores perderem garantias e direitos adquiridos. Esse cenário pode ser visto em países como o Brasil, cujos parlamentares alteraram o sistema previdenciário e propuseram o aumento da jornada diária para além das oito horas previstas legalmente. Outrossim, é perceptível que a terceirização também é uma consequência negativa do enfraquecimento das leis, já que reduz a estabilidade do empregado e, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, proporciona salários inferiores à média. Desse modo, evidencia-se o preocupante esfacelamento da esfera trabalhista.
Além disso, é válido destacar que a “uberização”, isto é, o advento de formas alternativas de compra e venda, facilitou o processo de “reificação” dos empregados. Segundo o sociólogo Karl Marx, esse termo designa a transformação do proletariado em objeto, cujo valor encontra-se apenas em servir aos propósitos financeiros do sistema capitalista vigente, Um exemplo disso ocorreu no Brasil, pois um jovem que entregava refeições pedidas por aplicativo foi alvo de insultos e de comentários racistas por ter realizado a entrega do pedido após o prazo estipulado. Esse episódio, noticiado em veículos de comunicação como o jornal Estadão, não acontece apenas no país e comprova a situação degradante da classe trabalhadora em todo o mundo.
Portanto, é essencial encontrar soluções para mitigar essa mazela social. Em primeira instância, é dever da Organização Mundial do Trabalho- autoridade internacional nesse assunto- fiscalizar as legislações dos países, por meio de conferências e do envio de fiscais laborais, e comunicar possíveis transgressões que prejudiquem-nos. Também é vital que o mesmo órgão promova encontros e debates com empresas de entregas para discutir formas saudáveis de garantir a qualidade de vida de todos os colaboradores. Essas ações acontecerão com o fito de minimizar a precariedade das interações empregatícias e de assegurar, assim, a integridade plena dos trabalhadores atuais.