A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 03/11/2020
Embora a constituição federal de 1988 assegure os direitos trabalhistas a toda população, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que se diz respeito a ‘‘uberização’’ do trabalho. Isso acontece devido ao baixo número de ofertas de empregos no país e aos avanços tecnológicos da humanidade.
É relevante abordar, primeiramente, que o baixo número de ofertas de empregos no Brasil leva muitas pessoas a escolherem o cadastramento nos aplicativos de ‘‘uberização’’, isso acaba expondo essas pessoas a vários riscos, é o que mostra o trailer do documentário ‘‘GIG ECONOMY’’ conhecido no Brasil por ‘‘uberização do trabalho’’, onde trata a difícil vida dos entregadores e motoristas de aplicativos, que estão sujeitos a acidentes, vulnerabilidade financeira já que não tem salario fixo, alta taxa de concorrência entre os cadastrados e o mais relevante, a falta de seguros para os empregados. Fora da ficção, e diante da sociedade é notório que tal realidade presenciada no documentário está bastante relacionada com a sociedade contemporânea,
Em segunda análise, vale ressaltar, que os avanços tecnológicos tornaram as pessoas mais dependentes da facilidade de locomoção e alimentação através dos aplicativos de entrega e transporte. Para o historiador britânico Arnold Toynbee, as pessoas tornaram-se deuses na tecnologia, mas na vida continuam como macacos, uma vez que apesar da facilidade da ‘‘uberização’’, ela traz consequências significativas para a vida do trabalhador, dentre elas, estão a violação dos direitos trabalhistas, que gera duvidas constantes sobre a instabilidade na vida do cadastrado nessa rede.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca da ‘‘uberização’’ do trabalho é imprescindível para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Nessa perspectiva, é imperativo que o Ministério do Trabalho destine verbas para a criação de um regulamento com direitos trabalhistas para o funcionamento desses aplicativos no país, por meio da inserção de seu objetivo na base de diretrizes orçamentarias, com o intuito de diminuir a instabilidade dos entregadores e motoristas. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude dos direitos trabalhistas no âmbito econômico e tecnológico