A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 13/11/2020

A Revolução Industrial ocasionou um expressivo aumento da produtividade econômica, possibilitando uma expansão da oferta de bens de consumo. No entanto, esse processo foi acompanhado pela ampla exploração da mão-de-obra operária nas fábricas. Ao longo dos séculos XIX e XX, os trabalhadores ao redor do globo conquistaram direitos que diminuíram essa exploração e aumentaram a estabilidade laboral. Não obstante, no momento atual, no qual novamente ocorre uma grande expansão da produtividade através da revolução tecnológica, os trabalhadores estão vendo a diminuição de seus direitos, dessa vez propagandeada como uma modernização que aumentaria liberdades.

Primeiramente, nota-se que a fase atual do capitalismo é marcada pela expansão do neoliberalismo, que prega a redução do papel do Estado na economia e retração das garantias trabalhistas como política de governo. Nesse cenário, ocorre a redução do número de empregos formais, com a diminuição de contratações no setor público e falta de incentivos governamentais para a geração dessas vagas. Dessa forma, dado o contexto de desenvolvimento tecnológico que por sua própria natureza diminui a oferta de empregos, a força de trabalho não consegue reinserção no mercado formal.

Complementarmente, observa-se que há, por parte dos grandes agentes econômicos, uma forte promoção da ideia de liberdade por trás desse aumento da informalidade. Isso é explicado pelas ideias de superestrutura e infraestrutura do sociólogo alemão Karl Marx: para garantir a manutenção da infraestrutura econômica, a burguesia promove a disseminação de valores na superestrutura política e cultural que suportem o status quo vigente. No contexto da precarização, isso traduz-se na promoção de soluções individuais como o empreendedorismo como panaceias para problemas estruturais e sistêmicos como o desemprego.

Urge, portanto, a adoção de medidas que possam remediar a desestabilização financeira que a informalidade e o desemprego ocasionam na classe trabalhadora. Uma possibilidade de resolução do problema é o estabelecimento de uma renda básica universal para a população. Isso pode ser realizado pelo governo federal, que detém a atribuição da emissão de moeda por meio do Banco Central. Além da expansão da base monetária, que se desmedida pode gerar inflação, esse objetivo pode ser alcançado por políticas redistributivas que taxem o 1% mais rico, que, segundo o IBGE, concentra 28% da renda do Brasil. Dessa forma, garante-se aos trabalhadores uma renda mínima para sobrevivência mesmo nos períodos de crise econômica, sanitária ou social.