A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 03/11/2020

Vivemos atualmente uma nova revolução do trabalho e da produção. A constante evolução tecnologia vem transformado as formas e relações de trabalho, bem como criando novos tipos e postos. Aplicativos vem se tornando as novas empresas, oferecendo serviços e produtos a apenas alguns cliques de distância.

Atualmente é comum contratar serviços de todos os tipos, desde uma consulta médica até uma compra de supermercado. De reuniões de  família a reuniões de trabalho. De comércio local a internacional. A flexibilidade é tanta que a sensação de liberdade é real. Hoje é possível fazer quase tudo sem sair de casa. Comprar e vender. Não importa a localização, desde que tenha conexão, é possível trabalhar e consumir.

Esta revolução não traz apenas benefícios. Junto como a liberdade vem também angústias. A oferta é tanta e tão intensa, com a agressividade que a concorrência faz surgir, que nos tornamos refém de um consumismo descontrolado. E do outro lado, também reféns da concorrência global, os prestadores de serviço e comerciantes, trabalhando com margens cada vez menores e, muitas vezes, totalmente descobertos pelos direitos trabalhistas constituídos na carta magna de 1988. Podemos tomar como exemplo os motoristas e entregadores da empresa Uber. Trabalham em uma empresa mas se caracterizam como autônomos, pois precisam contribuir com a previdência, não tem férias remuneradas e nem 13º salário.

Como tudo na vida, existem sempre os dois lados. Os prós e os contras. A tecnologia é fundamental nos dias de hoje. Ajuda a termos acesso a produtos e serviços que outrora não eram passíveis de oferta, assim como, embora tenha algum grau de exploração da mão de obra, ainda pode oferecer uma fonte de renda a quem necessita, dando tempo para que este trabalhador possa se preparar melhor para ocupar uma posição no mercado de trabalho que melhor lhe convenha, sem estar totalmente desamparado.