A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 04/11/2020

Segundo o filósofo Platão, " A qualidade de vida tem tamanha importância que ultrapassa a própria existência". Entretanto, este não condiz com a realidade na era tecnológica, tendo em vista a “uberização” do trabalho. Nesse sentido, é necessário um olhar crítico em virtude do abuso de empresas para com os seus funcionários e a ineficiência estatal em garantir os direitos desses trabalhadores.

Em primeiro plano, é mister se atentar as ações das Startups, tais como: Ifood e Rappi. Conforme o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade vive uma modernidade líquida, na qual as relações são instáveis. Essa instabilidade também se encontras nas relações trabalhistas, em que os funcionários informais como entregadores, são tratados de maneira inumana, ações que são possibilitadas pela falta de legislação específica, eles ficam expostos a longas jornadas de trabalho e baixos salários.

Ademais, o problema encontra terra fértil na ineficácia do Estado sobre a garantia das leis. O filósofo John Locke, em sua teoria sobre o contrato social, afirma que o Estado tem como fim zelar pelos direitos dos homens. Nessa perspectiva, observa-se que a não funcionalidade do órgão de justiça social, deixa os empregados a mercê das regras dos donos de empresas, que podem assim, controlá-los e abusar de seus serviços.

Logo, medidas são primordiais para resolver o impasse. O Estado por meio do Ministério do trabalho deve, através de um projeto de lei, exigir que as empresas criem uma legislação para os contratados informalmente, os fornecendo uma maior garantia de seus direitos, a exemplo: férias remuneradas e um 13º salário garantido. Espera-se, assim, acabar com a precarização trabalhista criada com a “uberização” e, alcançar a qualidade de vida proposta por Platão.