A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 04/11/2020

Os algoritmos são os novos patrões

Basta um clique e o pedido de entrega de comida ou corrida é realizado. Porém, sabe-se que tal comodidade, aliada à liberdade, flexibilidade, retorno financeiro rápido e maior tempo para à vida pessoal , tem seu preço e um preço caro. Trata-se da precarização do trabalho que esses colaboradores sofrem, necessitando, portanto, de uma regulamentação que assegure os seus direitos trabalhistas.

Ao passo que, no livro 21 Lições para o Século XXI do Yuval Noah, se faz uma previsão sobre o futuro do trabalho mundial, principalmente em países desenvolvidos, em que as taxas de desemprego crescem juntamente com as taxas de ramos informais. Por isso, é importante exigir responsabilidades para que seja assegurado o direito à saúde e segurança ao trabalhadores. De modo que casos como o do entregador Thiago, da plataforma RAPPI, que após sofrer um acidente vascular cerebral durante uma entrega e que não recebeu nem um tipo de assistência por parte da empresa, não passe impune junto a CLT (Consolidação das Leis de Trabalho).

Desse modo, é essencial romper com ideias de maximização de lucros por parte das empresas de aplicativos de prestação de serviços, que se aproveitam de uma população desesperada devido a situação de instabilidade financeira de seus países. Consoante, Carlos Drummond expôs em um de seus poemas que existem situações na vida que se apresentam como pedra, ou seja, um empecilho. À vista disso, para remoção de tais obstáculos que impeçam o progresso, regredindo a pré- 1943 ( pré-CLT), sociedade e governo devem cooperar para efetivação de um regulamento, não um regulamento que imponha mais custos, mas que assegure direitos, por exemplo por meio de paralizações , como forma de chamar à atenção para a discussão.

Fica nítido, assim, que a liberdade de trabalho proporcionado pela era tecnológica, por meio de aplicativos de serviços leva a  um cenário de precarização, onde o bem-estar do que presta o serviço pouco importa, preconizando o lucro, sem oferecer nem tipo de suporte empregatício. Logo ações que garantam direitos são fundamentais, devem sociedade e governo, o respectivo debate sobre a temática e o comprimento da CLT à categoria. Tais ações levam à valorização e respeito a essa classe de trabalhadores, como resultado, casos como do Thiago, entregador da RAPPI, não voltarão a acontecer.