A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 05/11/2020
De acordo com o filósofo Karl Marx, o homem moderno vive em meio a uma guerra, denominada luta de classes, em que a a burguesia- camada com maior acúmulo de capitais- sempre prepondera em relação a classe trabalhadora. Desse modo, os donos do meio de produção negligenciam a remuneração e os direitos do proletariado, visando o aumento da mais-valia,-lucro- acarretando em problemas de cunho social e desigualdade. Nesse viés, fora da teoria marxista, o cenário não é muito diferente, principalmente com o exponencial desenvolvimento tecnológico, em que a população desempregada está migrando para o comércio dos aplicativos, um ramo totalmente precário e incerto, ocasionando em um novo problema social: a ‘‘uberização’’ do trabalho.
Em primeiro plano, é importante salientar o desenvolvimento na ramo da inteligência artificial e sua rápida difusão no mercado de trabalho, ocasionando no desemprego de substancial parcela da população e no aumento da margem de lucro das empresas. Dessa forma, com o inchaço do setor terciário,- prestação de serviços- muitos migram para o novo mercado virtual, em que os aplicativos- Uber, Rappi, Ifood- propõem um retorno financeiro a curto prazo, além de uma maior flexibilidade na carga horária. Diante disso, esse novo nicho funciona como um paliativo para a difícil situação do mercado de trabalho, subjugando qualquer vínculo empregatício, ocasionando na precarização da mão de obra e na negligência acerca do papel do trabalhador.
Outrossim, tais ‘‘apps’’ vendem a paradoxal proposta de que o proletário é seu próprio chefe, com maior autonomia e retorno monetário imediato, omitindo que os mesmos devem arcar com todas as despesas, sem nenhum tipo de ajuda de custo ou auxílio. Ademais a ‘‘uberização’’ aumenta ainda mais os lucros das grandes empresas devido à terceirização da mão de obra no intermédio da oferta e demanda, e ainda recebem uma porcentagem no valor de cada entrega. Dito isso, tais repudiadas atitudes dos grandes capitalistas reiteram à teoria marxista acerca da alienação do trabalho, pois os entregadores não possuem direito ou poder acerca dos bens que ele produz-entrega-.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população acerca do problema urge que o Ministério do Trabalho exija a garantia dos direitos aos trabalhadores pelos aplicativos de delivery a fim de mitigar a exploração e a precarização da mão de obra dos mesmos, por meio de um salário fixo e ajuda de custo para a realização de transporte, com o intuito de assegurar a dignidade de todos os trabalhadores. Somente assim, o Artigo 3 da Constituição federal irá se cumprir, garantindo a todos uma sociedade livre, justa e solidária, independente de classe ou condição social.