A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 05/11/2020

A Agenda 2030 é formada por dezessete objetivos da Organização das Nações Unidas (ONU) para transformar o mundo. O nono objetivo é voltado ao apoio ao desenvolvimento tecnológico, assegurando o acesso e segurança a todos os usuários. Ao assimilar a meta do órgão mundial à realidade brasileira, é válido ressaltar que, embora a modernização do trabalho virtual facilite a troca comercial e fomente as relações e o surgimento de novas indústrias, ela também pode acarretar atos discriminatórios contra os entregadores e reduzir a qualidade alimentar dos cidadãos. Por consequência, são necessárias medidas para reverter esses problemas.

Em primeira análise, em agosto de 2020, um entregador do site “iFood” foi agredido moralmente ao fazer uma entrega de pizza. De acordo com vídeos gravados pelos vizinhos, o agressor ridicularizava a cor da pele do motoboy, nomeando-o de macaco e o chamando de preguiçoso por exercer aquela profissão. Após informações de testemunhas, a polícia relatou que a brutalidade ocorreu por causa da irritação do violentador moral ao atraso de dez minutos da chegada da pizza. Assim, ao analisar o exemplo mencionado, é possível afirmar que a “uberização” trabalhista pode acarretar discriminação contra os trabalhadores, dado que aumenta a exposição deles aos usuários de aplicativos, elevando as chances de serem alvos de críticas devido às insatisfações dos clientes.

Outrossim, na série norte-americana “Modern Family”, o personagem Jay começa a encomendar suas refeições pelo celular. Durante a semana, ele pede diferentes tipos de alimentos para satisfazer aos seus desejos. Ao perceber sua rotina de alimentação, sua esposa briga com ele e alerta que, se ele continuasse com aquele costume, seu colesterol aumentaria, uma vez que as refeições eram gordurosas. Logo, ao relacionar a ficção à realidade, é correto afirmar que a elevação das encomendas de pratos feitos fomenta a redução da qualidade alimentar dos consumidores, já que, assim como Jay, há indivíduos que dão preferência a produtos gordurosos em detrimento dos saudáveis.

Desse modo, são necessárias ações capazes de mitigar essas problemáticas. As escolas, além do bom ensino, devem educar os alunos para a cidadania, por meio de palestras e grupos de integração social, para que aceitem a diversidade cultural, reduzindo os índices de atos discriminatórios. Ademais, o Ministério da Saúde deve avisar ao cidadãos sobre os malefícios da ingestão periódica de alimentos não saudáveis, por intermédio da disseminação de pesquisas que relatam sobre as enfermidades causadas, a fim de que seu consumo no cotidiano seja amenizado. A partir dessas atitudes, o combate às consequências da “uberização” terá êxito.