A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 05/11/2020

Em 1955, o escritor João Cabral De Melo Neto publicou a obra ´´Morte e Vida Severina``, na qual, objetivou promover uma reflexão crítica sobre os problemas sociais brasileiros daquela época. Porém, mesmo que muitos dos relatos contidos no livro, não façam mais parte da sociedade contemporânea do Brasil e, de um modo geral, do mundo, diariamente visualiza-se a evolução tecnológica com suas  facilidades e também com seus futuros possíveis problemas. A exemplo disso, ressalta-se à uberização (modo informal, com utilização da internet), que junto com seus benefícios, trouxe também diversos problemas, entre eles, a perda dos direitos de diversos trabalhadores informais e um maior afastamento social. Negligencia-se portanto, que o Ministério do trabalho e o da Educação, juntamente com a população devem promover ações eficientes, em prol aos direito de todo cidadão.

Numa primeira análise, ressalta-se que as instituições governamentais têm grande potencial de melhoramento, pois a perda dos direitos trabalhistas de diversos cidadãos por não terem opção de comprovação dos seus trabalhos informais, se torna um descaso, tanto com os trabalhadores, quanto com os avanços e melhorias que a tecnologia proporciona. A esse respeito, Zygmunt  Bauman elaborou o conceito ´´Instituíção Zumbi``, segundo o qual algumas entidades- dentre elas o Estado- não estão fazendo seu papel de modo adequado. Nesse contexto, o Ministério trabalhista se encaixa perfeitamente, pois deveria estar buscando formas para que todo e qualquer cidadão possa comprovar seu trabalho digno de uma forma justa, sendo ele formal ou não, para futuramente ter seus direitos.

De modo análgo, é essencial destacar que a uberização ao proporcionar agilidade e facilidade em todos os parâmetros, também trouxe o sedentarismo e afastamento social com a diminuição do contato físico entre as pessoas. Diante disso, o célebre sociólogo Émilly Durkhein destacou que o egoísmo é, em grande parte, produto da sociedade, ou seja, o afastamento social está cada vez mais presente pelo descaso que a sociedade faz com as relações interpessoais físicas e a sua importância diante da saúde psicológica de cada um. Portanto, a sociedade precisa rever e compreender seus valores essenciais.

Frente aos desafios que inoculam a sociedade, o Ministério do Trabalho deve aderir a novas formas de inclusão dos trabalhadores informais, promovendo acesso a seus direitos através da criação de plataformas que possibilitem a comprovação por documentação de renda e serviço. Desse modo, podendo proteger seus direitos como cidadão em meio a tecnologia. Congruente a isso, o Ministério da Educação deverá fundamentar palestras para orientar a população, sobre o afastamento das pessoas e o prejuízo que isso pode trazer à saúde, buscando minimizar problemas psicológicos gerados pela falta de relações interpessoais. Somente assim, a evolução  tecnológica se tornará justa e segura.