A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 05/11/2020
Em 2008, ocorreu uma das maiores crises financeiras nos EUA desde 1929, que ocasionou um efeito dominó ao atingir toda a economia mundial. Como consequência, no Brasil, ocorreu uma onda de desemprego e informalização da economia, sentido a partir de 2015. Nesse sentido, com o aumento dos serviços informais e as novas tecnologias advindas da 4ª Revolução Industrial, o trabalho passou a ser “uberizado” com diversos serviços por aplicativo, informais e terceirizados. Entretanto, essas atividades, apesar de apresentarem a chance de ser dono do próprio emprego, conferindo uma suposta liberdade, levam a precarização, sem os devidos direitos trabalhistas e remuneração fixa.
Em primeira análise, é evidente que é uma característica da contemporaneidade uma busca incessante por liberdade, tendo em vista os princípios libertários que marcaram esse período desde a Revolução Francesa. Mas, na sociedade capitalista atual, a busca pela liberdade é ineficiente sem o capital financeiro, pois da maneira que é feita na “uberização”, o trabalhador continua submisso ao aplicativo. Dessa maneira, vale ressaltar a mais-valia de Karl Marx, pois o lucro, continua indo à grande empresa capitalista, a burguesia, e o empregado, o proletariado, não está investindo em seu próprio negócio, apenas doando sua força de trabalho e ficando com parte insignificante do lucro, ainda preso ao sistema..
De acordo com o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado garantir o bem-estar e resolver os conflitos do indivíduo. Porém, verifica-se, que o governo falhou em combater a crise de 2008 e também em garantir o emprego formal desses indivíduos, o que levou a “uberização”. Nesse contexto, o trabalho se tornou precário, sem as garantias fundamentais previstas em leis para os trabalhadores, como por exemplo férias remuneradas e licença maternidade. Com isso, também houve a redução do poder de compra dos trabalhadores, atrelado ao fato de o valor recebido ser proporcional ao tempo nesse regime de trabalho, o que nos leva a condições semelhantes a escravidão. Diante desse contexto, é preciso que o Brasil consolide sua economia e gere empregos, retirando os indivíduos da inadmissível situação atual.
Portanto, é primordial que o Executivo brasileiro resolva a precarização do trabalho, por meio de investimentos na economia do país. Para isso, deve-se destinar verbas para o Ministério da Economia, investir em empresas estatais, além de realizar uma reforma tributária. Desse modo, esperar-se-á, a curto prazo, a geração de empregos em virtude das estatais e, a longo prazo, desenvolver uma economia madura com a reforma tributária, que tem como objetivo atrair investimentos externos. Feito isso, o Brasil se recuperará completamente da crise de 2008, pois as condições precárias de trabalho, em virtude da “uberização”, serão combatidos e o governo terá exercido seu papel, em acordo com as ideias de John Locke.