A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 04/11/2020

Segundo o dramaturgo Sófocles, “Nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição”. De fato, o advento das tecnologias trouxe grandes avanços para a humanidade, como uma maior facilidade de comunicação e a modernização das relações de trabalho decorrentes da popularização dos aplicativos de serviços, a “uberização”. Porém, como exemplo do que foi dito por Sófocles essas conquistas trouxeram também algumas “maldições”, a precarização e a desvalorização presentes no dia a dia daqueles que trabalham por meio de aplicativos é um bom exemplo disso.

Em primeiro lugar, é importante falar que o fenômeno da “uberização” no Brasil está intrinsecamente ligado ao desemprego e a falta de oportunidades no mercado de trabalho. Com relação a isso, segundo dados coletados em 2019 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o desemprego atinge cerca de 12 milhões de brasileiros, ou seja, são inúmeras famílias tendo que encontrar uma saída em meio à crise.   Dessa forma, algumas pessoas se vêm tendo que aderir a esse novo meio de trabalho, ou seja, muitas vezes ou quase sempre fazem isso não por realmente quererem, mas por não terem opções melhores.

Ademais, deve-se ser discutido sobre a precarização e a desvalorização presentes nessa forma de trabalho. Dessa maneira, é cabível falar sobre o conceito de “Mais valia” que segundo o sociólogo Karl Marx, se dá quando a força de trabalho necessária para produzir algo é maior do que o valor pago por ela, ou seja, se ganha menos ou quase nada em comparação com o trabalho realizado. Concomitante a isso, trabalhar para aplicativos de serviço é sinônimo de baixa remuneração, falta de direitos trabalhistas e até mesmo de falta de segurança, já que muitas vezes os entregadores de “delivery” são expostos a situações perigosas ao realizarem as entregas.

Tendo em vista tal cenário, é essencial que medidas sejam tomadas. Desse modo, o Ministério da Justiça deve criar um projeto de lei que garanta a esses trabalhadores direitos básicos como, segurança no trabalho e a garantia de um salário fixo. Só então, será possível uma mudança no atual quadro.