A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 05/11/2020

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) garante a todos os indivíduos o direito à dignidade e ao bem-estar social. Entretanto, o que se observa é que em pleno século XXI, décadas após a criação do Ministério do Trabalho, pelo presidente Getúlio Vargas, ainda é possível identificar cidadãos que possuem seus direitos contestados. Hodiernamente, a uberização do trabalho impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios seja encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.

Precipuamente, é notório que a educação é o fator principal de um país. Todavia, ocupando a nona posição na economia, segundo o Banco Mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e tal contraste é claramente refletido na atual organização social brasileira que tem suas bases centradas na desigualdade social de direitos. Dentro da perspectiva de Ricardo Antunes, professor da Universidade Estadual de Campinas ( UNICAMP) ,no seu livro Uberização, Indústria digital e Trabalho 4.0, relata que a sociedade brasileira agregava uma crescente construção de direitos trabalhistas, mas, com o advento da revolução Técnico-Científico-Informacional , a sociedade foi perdendo os seus pilares de direitos .

Faz-se mister, ainda, salientar a negligência do Estado brasileiro como impulsionadora da problemática. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, econômicas e políticas são características da " Modernidade Líquida" vivida no século XXI. Diante de tal contexto, é fulcral analisar que na pós-modernidade com o advento dos Estados neoliberais, o Brasil acaba tendo a máquina pública e suas instituições enxugadas, culminando na extinção do Ministério do Trabalho no ano de 2019 , que por muitas décadas garantiu o monitoramento de empresas privadas e instituições públicas para a garantia dos direitos trabalhistas.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a consolidação de um mundo melhor. Portanto, algo precisa ser feito para solucionar esse problema. Logo, o Estado deve instituir novamente o Ministério do Trabalho ,que em parceria com o Ministério da Cidadania deve garantir a efetividade dos direitos trabalhistas, bem como a seguridade do trabalhador em jornada de trabalho e a construção de novas ações trabalhistas para a construção de um cidadão munido de direitos. Nesse sentido, o fito que tal ação é minimizar os efeitos negativos da uberização e da precarização para os brasileiros. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois, conforme Gabriel o pensador, " Na mudança do presente a gente molda o futuro".