A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 05/11/2020
No documentário Gig: ”A uberização do trabalho” lançado em 2019, é abordado o fenômeno crescente do trabalho mediado por aplicativos em todo o mundo. No Brasil, esse processo de trabalho autônomo acabou se tornando uma maneira inovadora de fugir do desemprego, contudo, essa alternativa de trabalho ainda apresenta desvantagens, as principais delas são a precarização do trabalho e a oscilação da renda. Em consequência disso, deve-se discutir sobre a uberização do mercado de trabalho.
Em primeiro lugar, pode-se ressaltar a precarização do trabalho, nesse contexto, a identidade individual do trabalhador se torna desimportante, visto que no sistema uberizado a uma ausência de direitos trabalhistas garantidos pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), direitos esses como carteira assinada, descanso semanal remunerado, férias, entre outros. O trabalhador acredita ter mais liberdade para fazer sua própria rotina, porém acaba sendo explorado trabalhando por mais horas sem receber hora extra, além de correr mais riscos no trânsito, tudo isso para conseguir driblar a crise e fugir do desemprego.
Posteriormente, deve-se discutir sobre a oscilação da renda, uma vez que a sua remuneração, normalmente determinada por um algoritmo, está sujeita a diversos fatores que podem influenciar no salário final, como, por exemplo, uma avaliação ruim de um serviço prestado. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Brasil existem 13,7 milhões de pessoas trabalhando como motoristas ou entregadores de aplicativo, com esse número cada vez maior de trabalhadores autônomos, os ganhos por serviços acabam diminuindo, fazendo com que para receber a mesma quantia que ganhavam há um ano o trabalhador tenha que realizar um número maior de entregas.
Portanto, é preciso evidenciar os impactos negativos da uberização. Desse modo, o Ministério do Trabalho, deve realizar um projeto de leis de regulamentação dos serviços prestados via plataformas digitais, além de implantar punições para empresas que não seguirem as regras impostas. Dessa forma, aderindo parte dos direitos trabalhistas, o trabalhador têm mais segurança para trabalhar de modo a garantir sua renda final sem muitos riscos, ademais os usuários do serviço devem dar uma boa avaliação ao funcionário para que ele seja remunerado.