A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 05/11/2020
A ‘’uberização’’ tem esse nome pelo aplicativo de transporte Uber, o qual tem se tornado cada vez mais comum dado ao panorama de globalização. Os aplicativos fornecem uma flexibilização da jornada de trabalho e horário, isto é uberização. Ao refletir a respeito desse processo, no século XXI, a problemática ocorre em virtude da falta de empregos pela revolução industrial, logo a condição de trabalho é desumana, principalmente pela falta de direitos trabalhistas. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.
A princípio, torna-se possível perceber, que no Brasil há uma alta nas taxas de desemprego, isso faz com que a população encontre outros meios de sustento. Diante disso, percebe-se de acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego é de 12,9%, atingindo 12,7 milhões de pessoas. Portanto, identifica-se que a uberização foi uma alternativa para as pessoas desempregadas, uma vez que os aplicativos se tornaram tão comuns. Em suma, desde os processos denominados “revoluções industriais”, o mundo tem priorizado produtos e mercado em detrimento de valores humanos essenciais, e a flexibilização do trabalho é uma consequência desse processo.
Desse modo, as condições de trabalho dessas pessoas é precário. A vista disso, nota-se, não possuem carteira de trabalho assinada, nem férias, auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social, tais direitos trabalhistas que se tornaram em vigor desde a criação da carteira do trabalho pelo presidente Getúlio Vargas. Por exemplo, o caso do motorista de aplicativo da plataforma RAPPI, Thiago de Jesus Dias, faleceu aos 33 anos devido a um acidente durante uma entrega. Assim, o mesmo e sua família não teve nenhum tipo de assistência da empresa de aplicativo ou dos serviços públicos.
Por conseguinte, fica claro que, ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que o Ministério do Trabalho em conjunto com as empresas privadas estabeleçam uma carteira de trabalho virtual, na qual sejam estabelecidas os direitos e deveres trabalhistas, como seguro saúde, alimentação e previdência, de modo que possa oferecer uma garantia de emprego e leis de trabalho para eventuais acidentes, com o objetivo de que os motoristas de aplicativos possam trabalhar em condições melhores. Conforme já dito pelo ativista Nelson Mandela, educação é capaz de mudar o mundo. Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, na sociedade civil, conferências gratuitas, em praças públicas, ministradas por psicólogos, que discutam o combate o desemprego e o aumento da uberização, de forma que o tecido social se desprenda de certos tabus e não caminhe para um futuro degradante.