A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 05/11/2020

A Terceira Revolução Industrial possibilitou, no fim do século XX, a transição da era industrial para a era digital, uma realidade que permitiu a disseminação dos meios tecnológicos no tecido social, como se observa na “uberização”, um modelo de trabalho informal que se originou graças aos aplicativos, o qual permitiu a flexibilidade, como as “homes-offices”. No entanto, compreende-se que devido à falta de proteção das leis trabalhistas, a “uberização” pode representar a precarização em vez da liberdade na era tecnológica. À luz disso, ao analisar as causas para esse cenário observa-se um Estado que não fomenta o crescimento do cidadão, mas também o individualismo na sociedade.

A princípio, o contrato social elucidado pelo filósofo Thomas Hobbes responsabiliza o Estado a inibir o convívio caótico. Nesse sentido, quando se analisa a conjuntura social brasileira, percebe-se -conforme o olhar de Thomas- um Governo que contradiz a sua função, uma vez que a omissão desse órgão em ofertar uma educação pública eficiente possibilita a formação de uma mão-de-obra desqualificada no país e, assim, constrói um cenário que conduz a desordem. Prova disso é que o crescimento de trabalhos que ignoram a carga horária e qualquer proteção ao empregado no tecido social, como a uberização, não está condicionado apenas à era tecnológica, mas sim um Estado que não estimula o crescimento do cidadão e, desse modo, o permite se sujeitar a subempregos.

Ademais, segundo o filósofo Zgymunt Bauman, a sociedade atual transferiu a ideia de progresso como melhoria compartilhada para a sobrevivência do eu. Sob tal prisma, detecta-se que o sentimento individualista tece o comportamento do homem hodierno e, consequentemente, viabiliza a construção de uma civilização que silencia diante das mazelas sociais, dado que a sua felicidade centra-se apenas em si mesmo. Dessarte, nota-se que devido a esse mentalidade não há na nação uma mobilização social em prol de um ambiente em que todos desfrutem de forma digna dos avanços tecnológicos. Consoante a isso, tal postura permite que relações trabalhista desumanas aflorem na sociedade.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante verbas públicas, traçar políticas que coíbem a precarização do trabalho na atual era. Nesse viés, tais programas criarão um ambiente escolar propício ao crescimento do cidadão, por meio de uma educação sociemocianal que explorem a reflexão e o olhar crítico do aluno, como também aulas de  robótica que  se adequam ao cenário tecnológico, a fim de fomentar, no tecido social, mão-de-obra qualificada. Outrossim, as escolas, por intermédio de palestras ministradas por sociólogos, elucidarão os perigos do individualismo na sociedade, com o proposito de combater tal sentimento. Em vista disso, o corpo social conseguirá desfrutar dos benefícios oriundos da Terceira Revolução Industrial