A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 06/11/2020
Atualmente o mundo presencia a chamada “Quarta Revolução Industrial”, marcada por uma maior integração da tecnologia à economia. Entretanto, por mais que tal processo seja positivo para os países desenvolvidos - que detêm as tecnologias e as patentes -, a realidade de países emergentes, em especial o Brasil, é marcada pela “uberização” do trabalho. Isso se deve, principalmente, pela crise econômica, que proporcionou uma elevada taxa de desemprego, e resultou na precarização, devido o retrocesso de conquistas trabalhistas.
Nesse sentido, é fundamental ressaltar a crise econômica que o Brasil vivencia há anos, intensificada pela pandemia de Covid-19, como um fator imprescindível para a “uberização” do trabalho e consequente precarização. Assim, a elevadíssima taxa de desemprego no país, que atingiu 14,4% em 2020, segundo o IBGE, colabora para o “inchaço” do setor terciário, no qual inúmeros trabalhadores migram para os aplicativos sem muitas garantias profissionais, como Uber, em busca de uma forma alternativa de renda.
Ademais, é de extrema importância salientar a “uberizção” do trabalho como responsável pela maior terceirização e precarização do trabalho, uma vez que, de forma geral, os empresário buscam uma menor oneração sobre os funcionários e, consequentemente, reduzem os vínculos empregatícios. Dessa forma, garantias básicas ao empregado, conquistadas no governo de Getúlio Vargas, como férias remuneradas e
limitação das jornadas de trabalho, não são mais, de fato, uma garantia nessa ascendente área tecnológica.
Logo, cabe ao Estado, em especial o Ministério da Economia, alavancar a economia brasileira, por meio de planos, como a Estratégia Federal de Desenvolvimento, com o intuito de diminuir o desemprego e a “uberização” do trabalho. Além disso, é função do Poder Público por via de legislações, garantir direitos trabalhistas ao funcionários de aplicativos - como o Uber, o Ifood e o Rappi - com o objetivo de reduzir a precarização do trabalho.