A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 06/11/2020

Em 2011, um tunisiano ateou fogo ao próprio corpo em forma de protesto, o que deu origem a um movimento conhecido como Primavera Árabe. O evento ganhou proporções mundiais devido às redes sociais, possibilitando mudanças significativas na região. De forma análoga, as tecnologias são aproveitadas na hodiernidade para facilitar a vida dos cidadãos, principalmente no que tange à “uberização” do trabalho, nome usado para designar um novo modelo de renda, informal e flexível. Faz-se necessário, portanto, debater os aspectos econômicos e sociais da questão, em prol do bem-estar coletivo.

Diante desse cenário, é importante ressaltar como as crises econômicas contribuíram para a ascensão dessa nova dinâmica trabalhista, visto que, com o desemprego estrutural, a mecanização tomou espaço de vários postos de trabalho, obrigando labutadores a buscar novas formas de sustento. Prova disso foi um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual diz que, em 2019, o Brasil possuía 13 milhões de pessoas desempregadas. Tal fato explica a popularização do trabalho informal, pois este oferece uma maior possibilidade de obtenção de renda adicional, além da flexibilidade das jornadas de trabalho.

Por conseguinte, ainda convém lembrar como, com o advento das tecnologias, um modelo menos rígido torna-se necessário, devido às constantes mudanças na sociedade. Nesse viés, o filósofo Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, descreveu as relações sociais do mundo contemporâneo, caracterizadas por sua fluidez e mutabilidade. Nota-se, assim, a necessidade de adaptação de produtores, oferecendo uma maior variedade de serviços e com possibilidade de inovação constante.

É perceptível, dessa forma, que a “uberização” do trabalho na contemporaneidade torna-se essencial, devido às novas configurações da sociedade. Por isso, é imprescindível que o Sistema Legislativo busque amparar os trabalhadores, por meio da elaboração de leis, as quais protejam e assegurem as necessidades básicas dos labutadores, com o intuito de lhes oferecer maior suporte. Dessa maneira, será possível minimizar os impactos negativos da questão, assegurando que apenas os pontos positivos das tecnologias permaneçam, assim como a Primavera Árabe.