A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 05/11/2020
A partir da revolução industrial as formas de trabalho foram se alterando conforme os avanços das maquinas e das tecnologias com grandes avanços para melhora do trabalhador durante os anos, porém houve alguns retrocessos na forma como o trabalho foi flexibilizado, exemplo disso é a “uberização”. Isso é favorecido pelo aumento de desemprego que acarreta em vários impactos para a sociedade.
Em primeiro plano, cabe analisar como o índice de desemprego favoreceu a uma precarização do trabalho. Isso por que, as empresas passam uma falsa ideia de que as pessoas possuem liberdade e será seu próprio patrão, porém empresas de transporte e de entrega ficam com uma porcentagem do valor cobrado pela corrida ou entrega .Dessa maneira, conseguem ampliar a jornada de trabalho sem a cobertura de leis trabalhistas, na medida em que a pessoa desempregada quer procurar formas mais praticas de ganhar dinheiro, assim, se submetem a várias horas de trabalho. Exemplo disso é o caso, registrado pelo jornal de campo grande, do caminhoneiro Rubens de 62 anos que deixou as estradas para virar uber ele afirma que para ter uma boa renda precisa trabalhar 10 horas por dia e que no fim de semana conseguiu 500 viagens que é em média 16 horas por dia. Logo, é necessário medidas menos flexíveis para essa forma de trabalho.
Ademais, a uberização propicia impactos para sociedade. Pois, essas novas formas de trabalho permitem que os parceiros pensem que podem trabalhar quando quiserem, mas na verdade isso não ocorre já que o trabalhador cumpri objetivos definidos pelo algoritmo e caso não cumpram são desligados .Desse modo, a sociedade criou uma ideia de que trabalhar muitas horas por dia ou que fica pagando várias corridas em feriados para ganhar mais é normal .Além disso, as formas de contratação passaram a ser mais terceirizadas e temporárias devido aos aplicativos que fornecem trabalhadores a qualquer momento e não estão protegidos pelas leis trabalhistas.
Verifica-se,então, a necessidade da criação de medidas para que atenue os impactos e as falsas ideias propagadas pela uberização. Dessa maneira, o Ministério do trabalho deve criar um projeto para que as empresas necessitem da regulação trabalhista para poder adquirir forças de trabalho, para que os trabalhadores não possam ter uma jornada intensiva. Paralelamente, as empresas de transporte e entrega devem criar reuniões mensais nas plataformas da internet com os parceiros com o objetivo de criarem acordos que beneficiem as duas partes para uma maior qualidade de vida para os trabalhadores. Desse modo, as novas formas de trabalho podem ser mais benéficas para a sociedade.