A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 05/11/2020

Com a Revolução Industrial, o meio tecnológico possibilitou a alteração da forma de se praticar inúmeras atividades realizadas pelos seres humanos. Nessa lógica, observa-se que a “uberização” do trabalho está inserida nesse ramo de mudanças, e gera problemas no mundo hodierno, ao precarizar as condições trabalhistas empregadas a indivíduos que visam trabalhar nesse meio. Destarte, é viável debater acerca do déficit educacional e da inaplicabilidade da lei com relação ao eixo problemático.

Nesse contexto, é visível que a falta de abordagem educacional a temáticas que relacionem o dever do Estado com os trabalhadores contribui diretamente para que a realidade dos funcionários desse fragmento do meio tecnológico piore a cada dia. Nesse sentido, de acordo com Sêneca, “a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda vida”. Sob esse prisma, expõe-se que a sobrecarga  de conteúdos técnicos impede a contemplação educacional de valores fundamentais para a vida humana, em todos os aspectos, o que leva os indivíduos a concluírem, indevidamente, que o Estado não deve prestar apoio aos funcionários da “uberização”. Dessa maneira, o panorama educacional brasileiro contrapõe o ideário de vitalidade educacional previsto por Sêneca.

Outrossim, ressalta-se que há um lapso na Legislação brasileira, no que diz respeito, ao não cumprimento da garantia que relaciona o dever estatal com a segurança financeira, prevista na Constituição Federal de 1988. Sob esse espectro, é evidente que a falha do Poder Legislativo em fiscalizar as ações do Executivo corrobora para que este não realize as medidas previstas em lei para melhorar as condições de trabalho dos indivíduos, sobretudo, aqueles que trabalham no ramo “uberizado”. Desse modo, evidencia-se a necessidade de reparar as lacunas legislativas para que a garantia citada na Carta Magna se execute.

Portanto, é substancial a tomada de medidas para que as condições precárias empregadas aos úberes sejam erradicadas. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, junto às escolas-maiores responsáveis pela formação do intelecto humano-, inserir na Base Nacional Comum Curricular, por meio de debates com profissionais do ramo “uberizado”, conteúdos que visem contemplar as dificuldades enfrentadas por estes grupos e as possíveis alternativas para superá-las. Dessa forma, as alterações geradas pela Revolução Industrial nas práticas de atividades humanas serão desfrutadas de forma positiva.