A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 05/11/2020
A partir do século XVIII ocorreu uma série de mudanças no mundo, como o surgimento da Revolução Industrial e, posteriormente, com o passar dos séculos, a criação das leis trabalhistas. Entretanto, na atual sociedade brasileira, ainda há desafios para promover direitos ao trabalhador na era da uberização. Isso ocorre, devido ao alto índice de desemprego no país e a negligência de empresas de entrega e transportes privados. Dessa forma é necessário a mudança desse panorama desalinhado.
Pode se observar que a maior parte das pessoas que trabalham com esse tipo de serviço está à procura de um emprego melhor e usa este como forma alternativa de sustento. Do total de trabalhadores do setor, 12% têm ensino superior incompleto e outros 5% têm ensino superior completo, diz o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Como a taxa de desemprego é muito alta, chegou ao ponto de os mais experientes também serem demitidos. Não à toa, o maior grupamento é composto por profissionais entre 30 e 49 anos (52% no total), segundo um professor da FGV.
Convém lembrar que esse tipo de trabalho é considerado um trabalho informal (sem vínculos registrados na carteira de trabalho ou documentação equivalente), por isso muitas empresas não fornecem os direitos básicos, como seguros que cubram acidentes, remuneração justa, entre outros fatores. No filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin, é mostrado uma empresa com demanda de trabalho superior ao que os empregados suportam, e consequentemente, só permanece ali quem realmente não tem outra alternativa. Esse filme se compara com a realidade atual pois tais empresas negligenciam os direitos trabalhistas dos funcionários, forçando quem não tem outra alternativa se submeter à condições precárias de trabalho.
Para que pessoas desse ramo não sejam desvalorizadas nem submetidas à circunstâncias injustas, urge que o Ministério dos Direitos Humanos seja mais rigoroso com direitos oferecidos por empresas desse setor, por meio de fiscalizações, além de vetar leis que garanta benefícios aos trabalhadores, como as que foram criadas à partir da Revolução Industrial, para que, como no filme citado, não sejam tratados como máquinas e tenham condições de ao menos sobreviver com a renda desse trabalho.