A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 06/11/2020

Durante o advento da Primeira Revolução Industrial, em 1778, trabalhadores eram exploradores impiedosamente pela burguesia da época, com jornadas exaustivas e ininterruptas. De forma análoga, ao contexto atual, a conectividade informativa da internet promoveu um novo fenômeno denominado de “uberização”, cuja situação dos trabalhadores nessa nova era não se difere muito do evento histórico supracitado. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade promove uma precarização para parte da população brasileira, seja pelo capitalismo exacerbado dos empreendedores, seja pela carência de leis trabalhistas.

Mormente, a exploração trabalhista promovida, majoritariamente, por donos de grandes empresas configura-se como o principal fator no que tange a essa problemática. Nesse sentido, o sociólogo alemão Karl Marx afirma, em sua obra “O Capital”, que a luta histórica humana é caracteriza pelo materialismo, ou seja, a prioridade pelo capital originou a desigualdade social, tal qual a existência do rico e do pobre. Dessa forma, pode-se dizer que o pensamento de Marx está intrinsecamente atrelado a essa realidade, uma vez que a mentalidade acumuladora de certos empreendedores os fazem explorar seus empregados para que possam ficar cada vez mais ricos. Assim sendo, para maximizar os lucros, o patrão apropria-se da maior parte do valor gerado pelo seu empregado, deixando-o com uma parte ínfima do que produziu, além de submetê-lo em jornadas de trabalho torturantes, a exemplo do que acontece com os entregadores de comida do aplicativo iFood, os quais recorrentemente protestam por condições  trabalhistas e salários melhores nos centros das cidades.

Outrossim, a carência de uma legislação mais protetora ao trabalhador corrobora para essa problemática. Nessa conjuntura, a inexistência de leis específicas, as quais regulamentem a quantidade de horas trabalhadas, por exemplo, abrem brechas para a exploração capitalista. Sob esse viés, é válido lembrar da Reforma Trabalhista promovida pelo ex-presidente Temer em 2017, a qual tinha como finalidade criar novos empregos à medida em que se flexibilizava o mercado de trabalho, o que tornou-se apenas em mais uma forma de patrões torturarem seus funcionários abusando da carência legislativa de direitos trabalhistas.