A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 09/09/2021

A série televisiva ‘‘Black Mirror’’ retrata, de forma crítica e obscura, possíveis situações futuras relacionadas ao uso exagerado da tecnologia, como é o exemplo de um episódio em que uma personagem trabalha em função de sua reputação numa rede social. Fora da ficção, a tecnologia está se tornando cada vez mais presente no cotidiano e substituindo os trabalhos tradicionais, como nos aplicativos de transporte e de entrega de alimentos. Assim, ocorre uma precarização do trabalho devido à desvalorização dos trabalhadores e à falta de  das leis trabalhistas nessa modalidade.

Segundo o físico alemão Albert Einstein, o espírito humano deve prevalecer sobre a tecnologia. No entanto, o que se tem visto é o contrário dessa ideia, pois está ocorrendo uma “uberização” do trabalho, que nada mais é do que a contratação de pessoas para atenderem a demanda de estabelcimentos que atendem por aplicativos. Dessa forma, a uberização faz com que os trabalhadores sejam desvalorizados devido à praticidade do sistema, sendo submetidos a cargas horárias excessivas por um baixo salário, além de não serem registrados pelas empresas. Por conseguinte, enquanto essa desvalorização do trabalhador de aplicativos permanecer corrente, a precarização continuará a aflingir o cotidiano dos brasileiros.

Tem-se, ainda, que para Thomas Hobbes, o Estado tem a obrigação de propiciar meios que auxiliem o progresso comum. Não obstante, esse ideal não tem aplicabilidade no Brasil no século XXI, pois a uberização do trabalho inibe o uso das leis trabalhistas, debilitando ainda mais essa condição, já que a classe trabalhadora se torna desamparada pela Constituição, e consequentemente sua qualidade de vida é afetada. O dado que comprova o impasse foi divulgado pela revista Trabalho e Desenvolvimento Humano, que relata que o número de entregadores que trabalham 14 horas por dia aumentou para 57%, indo contra as leis que garantem uma jornada de no máximo 8 horas diárias. Logo, nota-se que é preciso criar uma medida capaz de combater a problemática.

Portanto, faz-se necessária a adoção de medidas para solucionar a precarização do trabalho devido à uberização no Brasil. Para que isso ocorra de maneira efetiva, o Ministério do Trabalho deve aplicar as leis trabalhistas em todo o mercado de trabalho, obrigando as empresas que utilizam aplicativos de serviços a terceirizarem seus contratados para que sejam amparados pelas leis, garantindo sua segurança e dignidade. Ademais, a mídia deve fazer campanhas publicitárias inteirando a população sobre a importância da discussão sobre o tema, de forma que esse meio seja mais valorizado. Dessarte, os desafios atrelados à uberização serão mitigados e as situações críticas de Black Mirror avitadas.