A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 07/11/2020
Assim como no filme “Tempos modernos” de Charlie Chaplin, cuja principal premissa é a vida dos trabalhadores das fábricas na sociedade industrializada caracterizada pela fabricação em massa e pela banalização do trabalho dos operários, é possível perceber que nos dias de hoje o corpo social atual não está muito distante da supracitada realidade do século XX, mesmo que tenha aspectos diferentes. E é possível observar esses aspectos no dia a dia, visto que cada vez mais os prestadores de serviço estão sendo jogados a precariedade com a escassez de direitos trabalhistas e a desumanização.
Quando se pensa em serviços rápidos, no mesmo instante é perceptível a quantidade exacerbada e ainda crescente de meios nos quais praticamente qualquer atividade pode ser realizada sem sair de casa. No entanto, essa comodidade não é um benefício para todos, pois os pertencentes ao outro lado desse espectro, os prestadores de serviço, estão tendo seus direitos reduzidos e se tornando mais uma vítima da exploração oriunda do capitalismo. E um exemplo claro disso são os entregadores que trabalham cadastrados nos aplicativos de entrega de comidas e lanches, que não são atendidos pela CLT (Consolidação das leis trabalhistas) fazendo com que suas rendas sejam instáveis, mesmo tendo a carga horária equivalente a um trabalhador de carteira assinada. Ou seja, a falsa liberdade que é imposta a eles não traz reais benefícios e acaba se tornando um abuso por parte das grandes empresas.
Além disso, toda essa circunstância a respeito dos trabalhadores de serviço de entrega acarreta à desumanização dos mesmos, uma vez que essa imagem de liberdade é vendida e faz a população acreditar que eles vivem de uma maneira totalmente diferente da realidade, e por vontade própria, não por falta de outras formas de conseguirem sustento. Desta forma, tornando este modo de pensar completamente desonesto.
Logo, pode-se constatar que os problemas em questão são causados majoritariamente pelo grande avanço da tecnologia e pelas empresas que apenas se importam com o lucro. Portanto, para que os impasses sejam minimizados, é necessário que o governo federal, por meio do ministério do trabalho, insira leis que garantam mais direitos aos que trabalham de forma “individual”, para que ao se cadastrarem nos seus respectivos aplicativos, possam ao menos ter uma renda mais estável e favorável a carga horária de trabalho. Ademais, é necessário que a própria população se conscientize para lutarem juntos pelos direitos de uma profissão que faz tanto por todos diariamente. Assim, será possível gradativamente assegurar a esses trabalhadores uma condição de vida melhor.