A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 06/11/2020

A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, modificou os meios de trabalho com a chegada das máquinas que promoviam a produção em massa. As máquinas substituíram os trabalhadores, deixando muitos em condições precárias de trabalho, com poucos direitos trabalhistas e remuneração baixa, ou até mesmo desempregados. É indubitável que essa revolução atingiu também o mercado de trabalho brasileiro, e hodiernamente é nítido que os trabalhadores estão passando por dificuldades. Sem muitas vagas ou oportunidade de qualificação, muitos brasileiros têm se submetido a chamada “uberização do trabalho”, consequência da quarta revolução industrial: trata-se de uma série de lojas virtuais, em que é possível encontrar qualquer serviço que seja necessário, encurtando a distância entre oferta e demanda e dando oportunidade de empregos informais.

A princípio, é incontestável que a  “uberização” proporcionou aos compradores facilidade de consumo. Com apenas um clique, é possível ter um carro preparado para lhe dirigir a qualquer lugar, por exemplo. E como a demanda não é pouca, muitas pessoas desempregadas têm a oportunidade de ganhar dinheiro dessa forma. Entretanto, para os trabalhadores, nem sempre as condições de trabalho são as melhores, devido ao fato de que estes não estão sob o cuidado de nenhuma empresa ou contrato trabalhista, sem nenhuma garantia de estabilidade. Os consumidores, em sua maioria, não possuem esse conhecimento - a eles, o que importa é ter o acesso aos serviços. A classe brasileira dominante é enferma de desigualdade e descaso, segundo Darcy Ribeiro, fato que fica evidente no que tange a condição dos trabalhadores informais.

É possível perceber que a falta de garantia de estabilidade a esses trabalhadores é consequência de negligência da Consolidação de Leis do Trabalho (CLT). Essa lei não demonstra medidas para garantir a segurança e estabilidade dos trabalhadores informais, deixando-os à mercê da própria sorte. Esse cenário contraria as ideias de John Locke e seu contrato social, pois o Estado falha com a sua missão de sustentar condições de trabalho dignas aos seus cidadãos.

Em síntese, a “uberização do trabalho” trouxe privilégios aos consumidores, e mostrou-se um estado de trabalho não muito favorável aos funcionários. Portanto, é imperioso que o Estado intervenha com leis que possam garantir férias, aposentadoria e remuneração apropriada para os trabalhadores, por meio do CLT. Não somente, a mídia e a internet tem o papel importante de conscientizar os clientes sobre os desafios que passam os funcionários, para que estes possam comprar com humanidade. Dessa forma, a “uberização” passa a ser uma forma adequada de trabalho, sem que nenhum indivíduo tenha seus direitos feridos.