A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 07/11/2020

No filme romântico “Um date perfeito”, evidencia-se a criação de um aplicativo, o qual permite a contratação de um namorado falso, assim, o trabalhador se adequa à personalidade que o cliente escolher. Analogamente, a “uberização” -modernização das relações de trabalho, por meio da internet - está presente nos dias atuais, entretanto, tal fato permite a exploração e exaustão dos proletariados. Destarte, o egoísmo social e a procura incessante por produtividade são precursores dessa problemática.

Primeiramente, empresas que aderiram ao uso de aplicativos na contratação de serviços não têm se preocupado com o bem-estar dos trabalhadores. Desse modo, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, a contemporaneidade é marcada pelo egoísmo social, por isso, a empatia não está presente no mercado de trabalho. Diante disso, esse fato permite a exploração do proletariado, já que grandes comércios utilizam-se da escassa execução das leis trabalhistas, nesse âmbito, para indagar o cidadão a trabalhar mais, como dito na revista “Carta Capital”.

Ademais, a falta de interesse das empresas em estabelecer limites provoca a manutenção de uma procura incessante por eficiência. Diante de tal fato, o livro “Sociedade do cansaço” de Byung-chul Han demonstra tal acontecimento, o qual evidencia o excesso de produtividade exigido, nos dias atuais, como tóxico para a saúde mental. À vista disso, os serviços feitos por meio de aplicativos agrava essa problemática, já que o proletariado pode utilizar horários vagos e exercer seu ofício em casa, com isso, promove-se o cansaço mental e a precarização do trabalho.

Portanto, é notório a necessidade de minimizar o egoísmo social e a procura pela produtividade. Para tal, o Ministério da Educação deve, por meio da mídia - principal responsável pela propagação de informação -, promover propagandas conscientizadoras. Tais programas devem evidenciar os efeitos da incessante procura pela produtividade e o egoísmo social na exaustão dos trabalhadores, que, por consequência, não irão exercer seu ofício com perfeição, diminuindo a precarização do trabalho.