A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 09/11/2020

No atual contexto histórico, tem-se debatido sobre a questão da uberização do trabalho na era tecnológica. Entretanto, há uma discussão em relação ao fato de esse tema poder ser tratado de modo liberal ou sendo um tipo de precarização, já que, de um lado, ela apresenta-se de forma atrativa, dando certo tipo de liberdade ao indivíduo, e do outro, sendo tratada de forma contrária, considerando que esse tipo de emprego não garante os mesmos direitos que os demais, progredindo para situações nada agradáveis ou seguras ao trabalhador. Assim, é necessário que haja uma análise e implantação de medidas relacionadas à essa problematização, visando um melhor estado da sociedade.

Em primeiro lugar, vale destacar o fato a forma de trabalho uberizado ter ganhado força com a considerada “Quarta Revolução Industrial”, na qual houve avanços tecnológicos, surgindo novos meios de emprego. Essa situação explica-se pela questão de muitos, nos dias atuais, não garantirem emprego fixo ou por desejarem uma renda extra; porém tal modo de serviço torna-se perigoso à vida do cidadão, já que os aplicativos não responsabilizam-se por qualquer problema ocorrido com o profissional. Prova disso é o acontecimento com o motorista Thiago de Jesus Silva, que sofreu um acidente vascular cerebral, não sendo socorrido pela empresa online para a qual prestava serviço, indo a óbito, de acordo com o jornal “Carta Capital”.

Dessa forma, percebe-se que são muitas as implicações e riscos em relação aos que optam por esse tipo de ofício, incluindo também a questão de o aplicativo definir o valor a ser pago ao motorista, fazendo com que a corrida, muitas vezes, não valha a pena, no âmbito financeiro. Ademais, o prejuízo com o qual os táxis oficiais lidam também é algo a ser considerado, já que a maioria dos cidadãos optam pelos Uber’s em razão do preço, prejudicando o emprego de outros. Outrossim, há também de examinar o aspecto de esses “empregados” não possuírem direitos como férias, atestado médico, licença paternidade ou maternidade, deixando eles de receber quando não encontrarem-se em condições de exercer sua função.

Nesse âmbito, percebe-se que medidas devem ser tomadas e aplicadas em razão dessa problematização. O Governo deve criar leis que deverão impor às empresas online a garantia de segurança e dos direitos aos trabalhadores, com intuito de que eles possuam apoio quando houver algum tipo de ocorrência indesejada. Além disso, é necessária a aproximada regularização do valor desses transportes com os dos táxis, a fim de que os mesmos não sejam prejudicados. Somente assim esse problema social será solucionado e os cidadãos e motoristas obterão maior segurança de renda e de vida nesse quesito.