A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 08/11/2020
O filme “Você não estava aqui” problematiza a uberização do trabalho, evidenciando como este modelo não garante o bem estar do trabalhador. Frente a esse contexto cinematográfico, é possível levantar uma discussão mais profunda acerca da dualidade entre liberdade e precarização que tal modelo trabalhista desenvolve. Assim, é preciso questionar como a uberização do trabalho traz mais liberdade para o trabalhador, bem como discutir o fato de tal processo gerar uma precarização do trabalho, uma vez que o empregado deixa de ser protegido por meio de leis trabalhistas.
Diante do questionamento inicial, é preciso esclarecer que a “uberização” é uma dinâmica que torna o trabalho mais informal, a saber, diminui a burocracia entre a o empregador e o empregado. Inclusive, observa-se com nitidez que essa configuração deu mais liberdade ao trabalhador, pois, ao lançar o olhar sobre a realidade, percebe-se que este passou a ter controle sobre suas horas de trabalho. Nesse contexto, ganha-se voz a ideia do filósofo Santo Agostinho, que define liberdade como o exercício do livre arbítrio. Por conseguinte, é possível afirmar que a “uberização” do trabalho trouxe mais liberdade para o trabalhador, uma vez que este passou a ter mais poder sobre suas decisões.
Ainda nessa linha de pensamento, outro ponto a ser abordado é o fato de tal fenômeno gerar a precarização do trabalho, em virtude da falta de amparo legislativo que tal contexto gera para o trabalhador. Aliás, não se pode negar que a informalização do trabalho faz com que o empregado deixe de ter seus direitos garantidos por meio de leis trabalhistas. Nessa conjuntura, destaca-se o pensamento de Karl Marx, evidenciado na obra “O Capital’, de que, no capitalismo, as empresas tem como principal objetivo alcançar o lucro máximo. Dessa forma, compreende-se que a “uberização” do trabalho tem como consequência direta a precarização desse setor, afinal, a maioria das empresas não possuem uma preocupação social para com o trabalhador.
Diante do supracitado, urge a necessidade de reverter o cenário atual no que tange a precarização do trabalho. Desta forma, é dever do Poder Legislativo, em parceria com o Ministério do trabalho, regularizar o trabalho informal, por meio da criação e fiscalização de leis que amparem esses trabalhadores. Tais ações tem por objetivo garantir que todos os empregados tenham seus direitos básicos garantidos, diminuindo o fenômeno de precarização do trabalho, cada vez mais frequente no século XXI. Busca-se assim, que o retratado no drama “Voce não estava aqui”, sobre como o trabalho informal acaba com as vidas que promete salvar, deixe de ser uma realidade vivenciada no Brasil.