A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 09/11/2020

No período do governo de Getúlio Vargas, o ditador do Estado Novo propôs à sociedade um conjunto de leis, as quais delimitavam, protegiam e dignificavam o trabalho do empregado em relação ao seu empregador. Diferente desse episódio histórico, atualmente, devido a evolução da informalidade na sociedade, existe uma precarização do trabalho, principalmente o “uberizado”, devido à falta de suporte social ao servidor, tornando-o escravo de seus próprios serviços, metas e horários. Por esse motivo, deve haver uma maior preocupação com o bem-estar desse novo tipo de trabalhador.

Em primeira análise, percebe-se que houve uma priorização do aumento da economia aos custos da precarização da qualidade do trabalho, fechando os olhos para a vida dos servidores “uberizados”. Na Primeira Revolução Industrial, a modificação do estilo capitalista exigiu da população a necessidade de aquisição financeira para a sobrevivência e qualidade de vida; porém, devido a insegurança do trabalhador, a exploração era exercida de forma legal. Assim, foi somente a partir das criações das Legislações Trabalhistas que ocorreu uma humanização dos proletariados, pois passaram a existir ferramentas reguladoras para controlar os abusos. Nessa perspectiva, observa-se que a Quarta Revolução Industrial  gera a mesma precarização sofrida anteriormente, evidenciando que a “uberização” do trabalho deve ser tratada com a mesma relevância dos abusos do século XVIII.

Além disso, são extremamente desvalorizado pela população os serviços prestados, importando pagar sempre o mínimo possível, sem se preocupar com a remuneração do trabalhador. Segundo o economista inglês Adam Smith, a “mão invisível” regula o mercado através da demanda e procura do serviço desejado. Por esse motivo, podemos analisar que havendo uma livre disponibilidade dos servidores “uberizados’’, o preço de seus serviços tornar-se-ão concomitantemente barateado; deixando, assim, a relação entre trabalho e rendimento muito pouco vantajosa, levando o indivíduo a trabalhar de forma exaustiva e análoga a escravidão por falta de dignidade. Dessa forma, percebemos a importância de uma regulamentação que coloque um piso salarial digno para trabalhadores “uberizados”.

Conclui-se, portanto, que a precarização dos trabalhos originados da “uberização” se deve ao fato da falta de leis e recursos que garantam sua realização de forma digna. Por esse motivo, o Governo Federal, juntamente com o a Secretaria do Trabalho - órgão responsável por garantir a dignidade dos colaboradores nacionais -, devem construir regras e regulamentos através da atualização da Legislação Trabalhista Brasileira, incluindo bases salariais e direitos trabalhista para aqueles que também contribuem para a economia do país. Assim, todos poderão disfrutar de uma vida mais humanizada.