A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 09/11/2020
O século XXI é um momento histórico de aceleradas transformações devido aos avanços da ciência e da tecnologia. Neste cenário o aumento do desemprego nos faz refletir a respeito das novas e precárias relações de trabalho na contemporaneidade. O que se deve a fatores como aumento da tecnologia aplicada ao mundo do trabalho. Logo, embora esse tipo de serviço seja visto como uma alternância ao desemprego, nota-se um problema de precarização do trabalho que esses indivíduos estão sujeitos.
A priori, é necessário analisar como o avanço das tecnologias digitais mudou o mercado de trabalho. Nesse sentido, o importante cientista Albert Einstein afirmou que as tecnologias estão ultrapassando a humanidade, algo corroborado pelo fato de que a Organização das Nações Unidas decretou a internet como direito básico. Nesse contexto de inserção dela na vida social, percebe-se que plataformas on-line incorporaram-se aos empregos, através do Ifood, do Uber e das redes sociais, por exemplo, o que alterou a forma como eles funcionam e são mantidos no país.
Diante desse cenário, verifica-se um aumento na instabilidade do trabalhador. Durante o governo do presidente Getúlio Vargas, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) entrou em vigor para assegurar os direitos básicos aos empregados. Entretanto, atualmente os profissionais que trabalham segundo a lógica da uberização não usufruem desses direitos, como 13º salário e aposentadoria – que gerou, inclusive, protestos no país em 2020 -, o que compromete a qualidade do serviço e da vida cotidiana, uma vez que tornam-se dependentes dos consumidores, sem haver vínculo específico ou segurança e estabilidade.
Infere-se, portanto, que a uberização do mercado de trabalho é parte da sociedade e deve, por isso, ser devidamente regulamentada. Assim, o poder Legislativo, na figura da Câmara dos Deputados, deve criar uma legislação específica para os que trabalham segundo esse sistema, que atenda suas demandas e lhes assegure todos os direitos trabalhistas. Tal feito se dará através da realização de fóruns e consultas públicas, a fim de entender todas as especificidades destes trabalhadores e lhes conferir estabilidade no exercício da profissão. Destarte, os direitos afirmados desde o governo Vargas podem ser exercidos por todos democraticamente.