A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 09/11/2020
Com o advento da Revolução Industrial, grandes mudanças ocorreram nos métodos de trabalho em todo o mundo. A partir daí, a tecnologia entrou cada vez mais no círculo de trabalho. Atualmente, esse processo consiste no trabalho autônomo e sem direitos trabalhistas, além disso, há desigualdades de gênero neste trabalho. Portanto, embora esse serviço seja visto como uma alternativa ao desemprego, essas pessoas ainda enfrentam problemas de trabalho precários.
É importante enfatizar como a crise econômica geral e o desemprego afetam o ingresso por meio de aplicativos. Um dos principais argumentos para a reforma trabalhista é tornar o sistema de trabalho mais flexível para aumentar a oferta de empregos e impulsionar a economia. Porém, de acordo com o IBGE, existem 4 milhões de pessoas trabalhando em empresas de aplicativos de serviços no Brasil sem vínculo trabalhista. Portanto, na ausência de direitos e regulamentos, o indivíduo se vê desamparado pela empresa contratante, mas, por outro lado, é punido por ter sido avaliado incorretamente pelo cliente.
Além disso, vale ressaltar a desigualdade de gênero que atinge as mulheres nesse tipo de trabalho. Além de clientes e colegas que vivenciaram o assédio moral de mulheres, há diferenciais salariais e desvalorização de serviços. Diante disso, um estudo publicado pela University of Chicago e pela Stanford University, nos Estados Unidos, mostrou que o salário-hora total das mulheres motoristas é 7% menor que o dos homens. É por isso que elas são as mais afetadas por esse processo.
Portanto, fica claro que a “uberização” vivida pelos brasileiros não mostra uma solução prática de curto prazo à medida que esse método se expande. Porém, para evitar que o trabalho instável afete a vida dos trabalhadores, o governo federal deve implantar um projeto de lei no Poder Legislativo para regular os serviços prestados pelas empresas por meio de plataformas digitais e cumprir essas regras. Nesse caso, será aplicada multa. Portanto, insistir em direitos trabalhistas parciais garante apoio para os trabalhadores e, em última análise, iguala os lucros obtidos e as oportunidades de serviço entre homens e mulheres.