A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 10/11/2020
‘‘Black Mirror’’ é uma série norte-americana que retrata a influência da tecnologia no cotidiano de uma sociedade do futuro, em um de seus episódios, ‘‘Quinze Milhões de Méritos’’, ela evidencia o quanto as empresas privadas podem ‘‘sufocar’’ as pessoas. Apesar de ser uma ficção, o atual contexto da ‘‘uberização’’, no qual as corporações se denominam como uma ferramenta e não como uma empregadora, mostra que a série é extremamente coerente com a realidade. Sabendo disso, fica nítido que o processo de ‘‘uberização’’ do trabalho na era tecnológica precariza a profissão e a vida dos trabalhadores, uma vez que os deixa desamparados não só na questão da aposentadoria, como também nos casos de enfermidade.
Primeiramente, é importante destacar que a orientação sobre o pagamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é muito precária e muitas pessoas acabam não compreendendo. Nesse sentido, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 54% das pessoas ativas no Brasil não pagam a previdência e esse número fica ainda maior para os trabalhadores autônomos, por conta disso aplicativos semelhantes ao ‘‘Uber’’, que não pagam e nem direcionam os seus usuários sobre a aposentadoria, se tornam muito preocupantes. Sendo assim, fica claro que se nenhuma medida for tomada, o Brasil terá, em pouco tempo, uma quantidade elevada de idosos em condições precárias.
Além disso, é válido ressaltar que as pessoas que fazem sua renda através desses aplicativos também podem se acidentar ou até mesmo contrair uma doença -principalmente no cenário de pandemia-, porém, sem o pagamento da previdência, essas pessoas terão que trabalhar doentes ou ficarão sem renda. Nesse contexto, é válido comparar o processo de ‘‘uberização’’ com a Primeira Revolução Industrial, na qual as pessoas se encontravam totalmente desamparadas em casos de adoecimento. Com isso, é inegável que o bem estar dos trabalhadores tem sido deixado de lado.
Em virtude dos fatos mencionados, é evidente que esses novos aplicativos não representam nenhuma liberdade para as pessoas, pelo contrário eles limitam os direitos e precarizam suas vidas. Dessa forma, é necessário que o Ministério do Trabalho exija que todas as empresas ‘‘uberizadas’’, através de um curso obrigatório - montado por uma equipe de pessoas formadas e especializadas em direito previdenciário-, conscientizem os seus usuários sobre a importância de pegar a previdência, para que assim os trabalhadores tenham acesso a uma aposentadoria ou, se necessário, ao auxílio doença.