A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 11/11/2020

A quarta revolução industrial trouxe novas mudanças para o mundo, como a conectividade social e a forte presença de tecnologias digitais no mercado, como consequência dessas transformações, houve o surgimento de um novo modelo de negócio - a “uberização” do trabalho - este responsável por facilitar e ampliar, ainda mais, a conexão entre o prestador de serviços e o consumidor. Entretanto, este novo modelo de trabalho possibilitou  a precarização de vários funcionários, devido a dois principais agravantes: o desrespeitos das leis trabalhista e do aumento do exército industrial de desempregados.

Primeiramente, o desrespeito com as leis trabalhistas (CLT) é uma pratica comum dentro dessas empresas, como exemplo desse abuso temos a recente paralização dos motoristas de aplicativos de entrega, estes que durante sua mobilização exigiam melhores condições de trabalho, como segurança e a garantia de direitos como décimo terceiro, por exemplo. Nesse contexto, o “efeito do bem estar” idealizado pelo economista John Keynes, explica que o estado quem deve proporcionar os bens e serviços essenciais aos cidadãos, por isso cabe também a ele fiscalizar esses empregos de forma a garantir os direitos dos funcionários.

Ademais, o aumento do desemprego possibilitou essas empresas de terem acesso a um grande “exercito” industrial de reservas, ávidos por emprego, o que consequentemente facilita a precarização desses funcionários, visto que esse grupo aceita se submeter a essas empresas, mesmo em trabalhos instáveis. Nesse contexto, o filosofo Bauman explica que essa “entrega” é uma consequência dessa nova era decorrente da globalização e das constantes mudanças, o que ocasiona na liquefação das formas sociais decorrendo na submissão desses trabalhadores a essa forma de trabalho precário.

Em virtude dos fatos mencionados, cabe ao Ministério do Trabalho em parceria do poder legislativo, enrijecer as leis trabalhistas assim como a fiscalização, a partir da criação de uma delegacia especializada nesse tipo de emprego, de forma a minimizar os efeitos negativos causados por essa “uberização” do trabalho na era tecnológica.