A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 21/12/2020

O século XX é marcado pela rápida evolução da indústria e dos processos informacionais. A produção mecaniza-se de forma rápida, logo, a manufatura humana é substituída por esteiras robotizadas. Já o trabalho, evoluiu para um relacionamento líquido entre as empresas e o trabalhador, para Bauman, a liquidez é a satisfação momentânea para ambos os lados somado à falta de vínculo entre eles. Em contraponto, a desvinculação do trabalho ajunto a facilidade de substituição do empregado é um pressuposto de exploração implícita. Desta forma a diminuição dos direitos trabalhistas, aliado com às incertezas, que a revolução tecnológica ocasionará no emprego, é um fator negativo da “uberização”.

A diminuição dos vínculos de trabalho é um perigoso fator para a diminuição da qualidade de vida do trabalhador. Segundo o IBGE, cerca de 40% da população ativa no mercado está inserida na modalidade de empreendimento informal. Ou seja, mais de 30 milhões de brasileiros encontram-se fora do regime da CLT, por essa razão, não recebem férias, não possuem seguro-desemprego e não tem acesso ao 13º salário. A teoria de Keynes, o Estado de bem-estar social, é um modelo de economia com base no Estado. Possui o intuito de promover uma maior satisfação, e melhorar renda da população, têm como exemplos a Alemanha e a Dinamarca. Entretanto, a crise econômica que o Brasil atravessa, faz que a população desempregada tenha dificuldades de conseguir empregos, assim, migra para o serviço de aplicativos renunciando forçadamente a estabilidade e segurança do trabalho.

Além da diminuição dos vínculos trabalhistas, os espaços de trabalho são incertos para o futuro, visto que, as empresas tendem aderir a robotização para aumentar o lucro. A empresa Uber já anunciou estudos para realizar transportes de pessoas sem a necessidade de existir um motorista, assim, possibilita a massificação de seus ganhos. Por outro lado, o usuário que utilizava o sistema para trabalhar, é deixado de lado. O indivíduo, foi utilizado como método para angariar fundos, ou seja, aumentar a mais valia da empresa, como propõem Marx em seus estudos. Os empregos, nesse contexto, são diminutos, visto que o mercado abre portas para trabalhadores com formação tecnológica especialista. Portanto, a motorista, o entregador e o faxineiro são colocados de lado nessa perspectiva.

Conclui-se, que a busca por direitos com a estabilidade, deve coexistir com a evolução de mercado, para o bem-estar da sociedade. Desta forma, cabe ao Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, incentivar as empresas por meio de incentivos fiscais a contratarem trabalhadores e possbilitar a estabilidade para eles. Adjunto ao programa, o Ministério da Educação, realizaria aulas de aperfeiçoamento dos empregados, para que trabalhem como especialistas na área informacional. Portanto os empregos informais e líquidos, teriam o estado da matéria trocado, ocorreria a solidificação.