A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 17/11/2020

A obra  O triste fim de Policarpo Quaresma, do modernista Lima Barreto, revela seu protagonista com a característica marcante do ufanismo, acreditando em um Brasil utópico. Contudo, em tempos hodiernos, a uberização do trabalho, torna o país distante do imaginado pelo sonhador personagem. Nesse ínterim, esse imbróglio não é só chancelado pela indadimplência governamental, como também pela má formação socieducacional.

Em primazia, convém ressaltar a inoperância do Estado como impulsionadora do problema. Á luz do exposto, vale pontuar o pensamento do filósofo Friedrich Hegel de que o Estado é o pilar inicial de uma nação, sendo responsável por atenuar as anomalias sociais. Entretanto, a realidade vai de encontro a teoria de Hegel, uma vez que o alto índice de desemprego faz com que muitos cidadãos encontrem medidas alternativas de trabalho, á guisa de exemplificar, torna-se entregador de fast food - comida preparada e servida com rapidez -, na qual, essa forma de laboração foi intensificada, sobretudo, na pandemia do novo coronavírus. Além disso, a precarização desse tipo de labor, como a falta de direitos trabalhistas, o risco no trânsito, e o controle da empresa pela quantidade de dinheiro que recebe em cada corrida, transforma essas pessoas vítimas da exploração do trabalho no século XXI.

Faz-se mister, ainda, salientar que a educação é o fator principal para o desenvolvimento de um país. Imerso nessa logística, é importante frisar o pensamento do intelectual Paulo Freire ao inferir que " se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." Sob esse prisma, a baixa capacitação dos profissionais, em consonância com a carestia de oportunidade de trabalho faz com que, muitas pessoas, sejam vítimas do desemprego, tendo em vista que escolhem a uberização, como forma de trabalho, na qual, é perceptível uma ilusória ideia de liberdade por não possuir patrão. Dessa forma, a falta de capacitação torna esses jovens subordinados e alienados pelas plataformas digitais com várias incertezas.

Infere-se, portanto, mitigar os entraves supramencionados. Para tanto, é premente que o Poder Legislativo, aliado á Secretária especial do Ministério da Economia - responsável pelos os direitos do  trabalho, amplie as leis trabalhistas para os indivíduos que laboram em aplicativos, por intermédio de planejamentos estratégicos e de cunho coletivo, com a finalidade de que todos os cidadãos tenham seus direitos plenamente respeitados e, assim, diminuir a exploração trabalhista. Ademais, cabe ao Estado, junto à Escola, desenvolver cursos de capacitação para as pessoas que desejam ingressar no mercado de trabalho, mediante seminários elucidativos, atividades lúdicas, que visem ensinar os cidadãos, com o intuito de amenizar o desemprego.