A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 12/11/2020
É evidente que a tecnologia é o principal elemento da contemporaneidade. No entanto, embora crucial, é necessário avaliar o modo como ela acarretou alterações na escala de produção. Assim, constata-se que a esfera digital suscitou, por um lado, a precarização do trabalho, ao suprimir direitos do empregado e, por outro lado, concedeu certa flexibilidade para o contratante e para o contratado, o que exige um análise crítica no que tange aos impactos desse novo vínculo laboral.
Em primeira análise, no governo Vargas, remete-se à árdua luta do proletariado pela conquista da legislação trabalhista, o que garantiu condições dignas de labor. Sob tal ótica, observa-se que o novo modelo produtivo suprimiu direitos que demoraram anos para serem assegurados e, por sua vez, resgata um ritmo de trabalho abusivo, sem vínculo empragatício e sálario incoerente com as horas de serviços prestados. Assim, gera-se, na atualidade, uma consequência negativa que não pode ser simplesmente aceita pelo Ministério do Trabalho.
Por conseguinte, a antiga escala de produção submetia o trabalhador a uma rotina monótona e restrita ao escritório. Contudo, com a flexibilidade garantida pela tecnologia, é possível executar um serviço com total qualidade sem a necessidade de se deslocar para um escritório, pois a Internet permite tal dinamicidade. Desse modo, com as ferramentas como skipe, facetune e até mesmo o WhasApp, é possível resolver reuniões de negócios entre outras pendências relacionadas à atividade laboral.
Destarte, nota-se que, embora a tecnologia tenha tornado o trabalho mais dinâmico, não se pode ignorar a precarização suscitada pelo seu novo modelo produtivo. É fulcral, portanto, que o Governo Federal, por intermédio do Ministério do Trabalho, altere a legislação trabalhista vigente, de modo a abranger o atual vínculo empregatício acarretado pelo meio digital e garantir salário e jornada de trabalho coerentes. Assim, será possível atenuar os impactos negativos que era tecnológica tem suscitado à modernidade e garantir que não haja a supressão de direitos laborais.