A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 12/11/2020
Segundo o sociólogo Max Weber, o trabalho é um meio de transcendência humana, essencial para evolução dos homens. Nesse contexto, observa-se a analogia com a “uberização” do trabalho, visto que representa um das vias para o desenvolvimento e sobrevivência das pessoas, contudo, apresenta seus fatores positivos e negativos. Logo, tornam-se imprescindíveis caminhos para combater tais desvantagens.
Durante a trajetória histórica, o trabalho passou por diversas modificações, como do feudalismo à escravidão, mais tarde, à industrialização, entre outros percursos. Contemporaneamente, com o advento tecnológico em conjunto com o capitalismo, surgiu a “uberização”, fenômeno que intermedeia a demanda de trabalhadores cada vez mais informais. Com isso, um ponto positivo é a liberdade gerada por essa nova forma de emprego, pois os trabalhadores possuem mais autonomia nos seus horários laborais, podendo manusear melhor a sua agenda de compromissos. Um exemplo é um uber que deseja comparecer a uma apresentação escolar de seu filho(a), devido à ausência do trabalho formal em sua vida, o cidadão pode estar presente nos locais desejados, com maior disponibilidade e menor burocracia.
Em contrapartida, há características negativas que assolam o mesmo serviço “uberizado”, como a disparidade com as leis trabalhistas, assim, sem o trabalho formal, o servidor fica a mercê de direitos de danos morais, indenizações, férias remuneradas, entre outras virtudes. Comprova-se tal argumento ao estudar a vida de um “uber” o qual acidentou-se durante a jornada de trabalho, sem carteira assinada, esse indivíduo não receberá valores financeiros para sua melhora ou enquanto estiver afastado e, em muitos casos, não poderá trabalhar, tendo em vista seu estado de incapacidade. Além disso, cabe ao trabalhador “uberizado” escolher o meio de locomoção que usará, podendo ser prejudicado quando esse não atender às condições exigidas pela empresa. Dessa forma, busca-se, urgentemente, soluções que revertam a realidade supracitada.
Portanto, a fim de minimizar as desvantagens da “uberização”, faz-se necessário o encaminhamento de responsabilidades às empresas, com a atuação do governo, por meio de leis, uma vez que o empregado que trabalhar mais que três dias na mesma semana para determinada empresa, passará a receber direitos oriundos ao tempo de serviço. Ademais, a conscientização dos donos dos estabelecimentos, por meio de canais midiáticos, com a atuação do governo, conscientizando o valor de cada trabalhador e seu verdadeiro salário, com o objetivo de ampliar o senso crítico. Em suma, ter-se-á uma sociedade mais justa e em transcendência conforme analisado por Weber.