A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 12/11/2020
Segundo Albert Einstein, tornou-se aterradoramente claro que a nossa tecnologia ultrapassou nossa humanidade. Embora problemática, tal concepção aplica-se contemporaneamente mediante a uberização do trabalho na era tecnológica.Assim,nota-se a configuração de um problema complexo, atrelado à deturpação dos direitos trabalhistas e ao silenciamento da temática,mecanismos que precisam ser suplantados.
Em primeiro plano, infere-se que a precarização das garantias previstas na legislação proletária, devido à alta lucratividade obtida com a exploração do trabalhador moderno, corrobora para a perpetuação do quadro. Desse modo, o ideário de “corpo biológico” no qual a sociedade funciona de forma integrada e igualitária quando os direitos civis são legitimados, proposto pelo sociólogo Émile Durkheim, não pode ser alcançado. Assim, os colaboradores de aplicações de prestação de serviços são obrigados a cumprir uma carga horária exaustiva, com baixos salários,sem qualquer amparo em caso de acidentes ou auxílio previdenciário,o que impede a obtenção de uma sociedade coesa e contrasta com a teoria de Durkheim.
Ademais, é válido salientar que a não abordagem a respeito da uberização do trabalho,visando a alienação trabalhista, é outro agravante. Sob tal ótica, segundo Foucault alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Dessa forma, ao invisibilizar as crescentes transformações no mercado trabalhista mediante a era tecnológica, indubitavelmente as grandes empresas mantém seu poderio econômico por meio da manipulação de seus funcionários com o discurso de empreendedorismo e independência dos profissionais do ramo uberizado.Assim, com a falsa ilusão de liberdade, muitos se submetem a condições subalternas de emprego em virtude da desinformação,consoante apontado por Focault.
Destarte, é imprescindível a implantação de medidas para mitigar a uberização do trabalho na era tecnológica. Por conseguinte,cabe ao Ministério da Educação —órgão responsável por regulamentar a educação do país— disponibilizar materiais didáticos,como apostilas e e-books, por intermédio de associações com bibliotecas locais, a fim de ofertar mais conhecimento a respeito dos direitos trabalhistas no país, informando sobre os perigos da exploração no ramo uberizado. Feito isso, o Brasil distanciar-se-á da concepção de Einstein e haverá perspectivas melhores para o futuro.