A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 16/11/2020
Há quem acredite que os novos serviços que vem ganhando espaço nas últimas décadas são resultados da ampliação tecnológica juntamente com o desejo individual de empreender e tornar-se autônomo. Todavia, diversidade, facilidade e rapidez dos serviços, a chamada “uberização”, (que nada mais é do que o crescimento de subempregos) - nasceu sobretudo da necessidade de muitos indivíduos em encontrar vagas formais de trabalho, criando com ajuda das tecnologias, novos serviços.
Primeiramente, no início do século XX, o processo de industrialização nas regiões Sudeste e Sul do Brasil promoveu a urbanização das mesmas, ao passo que contribuiu com o êxodo rural das demais áreas, como o Nordeste e o Centro-Oeste, por exemplo. A indisponibilidade de empregos que essas pessoas encontraram nas ricas regiões do país - devido a sua falta de especialização - é semelhante ao que ocorre atualmente, e em ambos os casos, a solução desse povo foi buscar e inovar, criando formas de sustento alternativas. Nesse sentido, a tecnologia atual ajudou muito os trabalhadores a procura de emprego, já que com as infinidades de comunicações e desenvolvimento, existem inúmeras possibilidades, como a divulgação de negócios próprios ou a participação em outras formas de serviço, ainda assim, não deixam de ser subempregos.
Além disso, é incoerente a ideia de que essa massa de desempregados se lança sobre os serviços informais de maneira opcional. O crescimento dos profissionais autônomos não ocorre sobre a perspectiva de empreendedorismo e liberdade de escolha, mas sim, sobre as limitadas opções que o contexto econômico do país oferece. Uma vez entendido que a é o aumento nas taxas de desemprego o responsável pela exorada de serviços “uberizados”, não haverá mais sentido glamurizá-los.
Portanto, medidas são necessárias para diminuir a quantidade de pessoas nessa situação e ofertar a elas verdadeiras condições de escolha. Cabe ao executivo criar cursos técnicos em parceria com empresas privadas e ofertá-los a população, com objetivo de melhorar o nível profissional dos cidadãos e torná-los aptos para preencher as vagas formais de trabalho. Desse modo, aqueles que optarem em exercer profissões como: motorista de Uber, vendedor ambulante, boleira, revendedora, etc., estarão fazendo essa escolha de maneira realmente livre.