A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 19/11/2020
Com a “uberização” do trabalho é possível ter milhares de trabalhadores informais gerenciados por alguns meios técnicos. No caso, o aplicativo servirá apenas como um “canal” entre o cliente e o trabalhador, não se é dada nenhuma garantia de tempo de trabalho e valores para a mão-de-obra. Isso pode ser visto como forma de liberdade ou de precarização.
De fato, a informalização do trabalho permite que haja uma queda considerável no preço da oferta, além da facilidade de se utilizar aplicativos como o “Ifood” ou o “Uber”, segurança e conforto são outras coisas prometidas pelos aplicativos. Entre as profissões mais afetas por isso, estão os motoristas e entregadores. A questão para isso é: o número de trabalhadores informais aumenta e a necessidade de regular essa nova classe também. Eles trabalham com liberdade, mas ainda são subordinados às regras dadas pelos aplicativos, que os impõem metas sem garantia de remunerações, tempo de trabalho ou até mesmo acidentes.
Essa nova classe já tem sido um problema em debates sobre a economia mundial, como sugere Guy Standing em seu livro “O precariado - A nova classe perigosa”. Para ele os precariados (combinção de precário com proletariado) é uma classe emergente em todo o mundo, sendo composta por pessoas sem emprego fixo, vivendo suas vidas na insegurança e sem um trabalho que garanta sua satisfação pessoal. Isso encaixa perfeitamente com o processo de uberização nos últimos anos e está relacionado com a rigidez dos encargos no Brasil que provocam a informalização e o estado precário do trabalho.
Assim é questionável até que ponto a “liberdade” do trabalhador pode chegar, sendo evidente os problemas em diminuir o informal e o precário. Para resolução desses obstáculos, será necessário maneiras de regular essa relação do trabalho com a nova classe e buscar garantias mínimas. Entre elas, terão leis feitas pelo Estado que deem segurança e estabilidade para os precariados, para que possam possuir a sua satisfação pessoal sem prejudicar a sua liberdade no trabalho.