A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 16/11/2020
A “uberização” do trabalho é a modernização das relações de trabalho decorrente da popularização dos aplicativos de contratação de serviços. Embora represente o surgimento de novos empregos, por outro lado há também a precarização do trabalho. Esse processo advém dos interesses empresariais, que acharam uma maneira de “driblar” as leis trabalhistas do Brasil. Assim, entra em questão a “uberização” do trabalho na era tecnológica, na insegurança do trabalho, aliada a oportunidades de novos empregos, em um país com o índice de desemprego tão alto.
Primeiramente, evidencia-se que a “uberização” do trabalho gera a precarização do mesmo. Tal situação ocorre, pois o trabalhador, como não trabalha para ninguém, não tem carteira assinada e, portanto, não dispõe de direitos trabalhistas. Como consequência dessa situação, surge essa nova forma desumana de trabalho, onde a pessoa trabalha sem patrão e sem horários, mas também sem seguridade. Exemplo dessa situação precária de trabalho, pode ser visto na obra cinematográfica “The True Cost”, que denuncia essas relações de trabalho as quais são submetidas as populações de países menos desenvolvidos, como meio de baratear o custo de produção.
Além disso, mesmo com a precarização do trabalho, houve um aumento na geração de empregos. Isso acontece, porque, para a maioria das pessoas que não conseguem trabalho formalmente, trabalhar em aplicativos de contratação de serviços é melhor do que ficar sem trabalho e sem modos de levar o sustento para sua família. Como consequência dessa situação, os trabalhadores têm se sujeitado a essas condições, fazendo com que elas sejam cada vez mais presentes no mundo. Arquétipo evidente dessa postura, é que o número de pessoas que trabalham em veículos nesses aplicativos, cresceu quase 30% de 2017 para 2018, segundo o IBGE.
Diante do exposto, é necessário reconhecer que os interesses empresariais são a origem da “uberização” do trabalho na era tecnológica. Para solucionar essa questão, faz-se necessário que o Ministério do Trabalho acabe com essa lógica das empresas de aplicativos, de “você não trabalha para nós, você trabalha conosco”, através da proibição da circulação de motoristas de aplicativos sem carteira assinada - nessa nova proposta, os trabalhadores disponibilizarão de todos os direitos trabalhistas, como trabalho somente 8 horas por dia, um dia de folga na semana, férias, e entre outros - a fim de acabar com a precarização do trabalho e evitando, assim, a exploração do trabalhador.