A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 22/11/2020
A passagem do sistema industrial fordista para o toyotista é marcada por diversas transformações, uma delas é a função dos empregados. No modelo de Ford, cada funcionário é especializado em uma determinada função ou etapa da produção. Enquanto no Toyotismo, os trabalhadores precisam ser multifuncionais e ter um conhecimento diverso. A implementação do modelo mais flexível e a alta robotização foram precedentes para as relações de produção e trabalho atuais.
Diante dessas transições iniciais somadas aos impactos da globalização e suas transformações digitais, observa-se o aumento do desemprego e informalização nas relações trabalhistas. A atual uberização é um reflexo dessa conjuntura.
Os aplicativos garantem liberdade e retorno financeiro rápido. Contudo, os ganhos dependem da quantidade de horas trabalhadas. Segundo um estudo da Associação Aliança Bike, cerca de 30 mil ciclistas entregadores de app da cidade de São Paulo trabalham, em média, 12 horas por dia, durante os sete dias da semana, para ganhar menos de mil reais por mês. Não alcançando o salário mínimo.
Dado o exposto, anexado às informalidades nas relações trabalhistas, é imprescindível que o Ministério do Trabalho regulamente leis e diretrizes para que os aplicativos ofereçam proteção aos prestadores de serviço, além de fiscalizar e garantir multas caso haja o descumprimento das mesmas. Desse modo, atenuar-se-á em médio e longo prazo os impactos nocivos da precarização do modelo como alternativa ao desemprego.