A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 18/11/2020

Só o primeiro passo

A “uberização” do trabalho é um movimento inevitável, consonante com a era atual de grande fluidez das cadeias produtivas. Mas, ainda assim, parece ser, infelizmente, um passo inicial na direção da precarização e descarte do trabalho pouco qualificado. A transição para o uso massivo de máquinas com inteligência artificial (IA) e a enorme competição para garantir um emprego digno no mercado de trabalho são evidências disso.

O Uber, a Amazon, a Tesla e outras empresas estão num processo de pesquisa e teste de carros e drones que vão, por IA, guiar-se sozinhos. Fica então a pergunta: e o motorista ou entregador que hoje fazem o serviço? Obviamente, esses serão em alguns anos substituídos. Eles trabalham, então, com a certeza de que a empresa que os contrata entende seu trabalho, não como a liberdade que a eles vende a imagem, mas como dispensável e, em breve, de fato o dispensará, evidenciando o processo de precarização e eliminação do posto.

Além disso, há uma tendência de aumento do número de pessoas desempregadas e, ao mesmo tempo, diminuição dos ofícios em que elas se encaixariam por causa da substituição de postos por máquinas e IA. Pela lei da oferta e demanda, se há um mar de gente buscando emprego e poucos postos a preencher, a competição será crescente e inevitável, resultando em salários mais baixos e precarização das condições de trabalho.

Portanto, a “uberização” segue a tendência mundial que visa debilitar e,  por fim, eliminar o trabalho pouco qualificado. Uma possível solução para garantir um emprego digno aos “uberizados” seria uma parceria governamental com as empresas “uberizantes” para facilitar a inclusão desses profissionais em programas de qualificação profissional como o pronatec e prouni, ajudando-os a ter uma maior competitividade no mercado por meio da educação e libertando-os dos ofícios pouco qualificados que serão em breve substituídos.