A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 18/11/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea no Brasil, é o oposto, uma vez que a uberização do trabalho na era tecnológica. Nesse contexto, percebe-se a precariedade de direitos e a falta de assistência básica para os trabalhadores, as quais dificultam a concretização dos planos de More.
Precipualmente, é fulcral que as questões constitucionais e suas aplicações estejam entre as causas do problema. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto, isso está em deficit no país. De maneira análoga, a escassez dos direitos aos ubers são ínfimas, como a ausência de vínculo trabalhista, férias e décimo terceiro, deixando o motorista sem garantia do seu futuro e muitas vezes da sua família.
Outrossim, destaca-se falta de assistência básica como um grande empecilho. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que é negado ao uber um ambiente adequado para realizar suas refeições, local para descanso e até mesmo para carregar seu celular um importante instrumento de trabalho assim com a moto.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o governo federal em conjunto com os estabelecimentos, por meio de legislações, disponibilizem além de direitos garantidos por lei, um lugar para que possam repousar e carregarem seus celulares. Nesse sentido, o fito de tal ação é um trabalhador mais assegurado, tranquilo e um comércio que não se importa apenas com os lucros, mas sim com a vida. Assim, atenua-se-á, em médio e longo prazo, a uberização do trabalho na era tecnológica, e a coletividade alcançará a igualdade defendida por Balzac.