A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 19/11/2020
Sob a perspectiva do filósofo prussiano Immanuel Kant, “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. De maneira análoga, percebe-se que há, no Brasil, um déficit educacional que traz consigo uma série de adversidades, entre elas a “uberização” do trabalho na era tecnológica. Nesse sentido, urge que medidas sejam tomadas para amenizar a problemática, que é motivada não só pela falta de investimentos por parte do governo, mas também pelo reflexo das transformações capitalistas.
Em primeiro plano, é incontestável que a carência de investimentos está entre as causas do problema. Segundo o filósofo italiano Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder o governo deve operar tendo como objetivo o bem universal. Diante disso, é notório que, no território brasileiro, a condução governamental rompe com essa paridade, visto que a indiferença em relação ao aumento do trabalho informal é explícita pela falta de incentivo financeiro na qualificação e das constantes cobranças de impostos, as quais desmotivam o trabalhador a entrar na economia formal. Sob tal ótica, é evidente que existem falhas no princípio da isonomia, no qual todos devem ser tratados igualmente, além dos riscos de um colapso econômico se medidas não forem tomadas.
Ademais, convém ressaltar as consequências das mudanças no capitalismo como mais um desafio a ser combatido. Dessa forma, é importante ressaltar a desvalorização do setor secundário e desenvolvimento do terciário como desencadeadores de extremas alterações na economia, o que ocasionou desemprego e intensificou o trabalho informal. Desse modo, tanto trabalhadores informais e empresários estão em desvantagem, uma vez que há ausência de um regulamento e de empregados formais.
Portanto, para que a “uberização” do trabalho deixe de existir no contexto brasileiro atual, providências precisam ser tomadas. Por isso, o Governo Federal deve direcionar mais atenção ao problema por meio de investimentos tanto na educação como na qualificação e adequação da nova realidade econômica, para aprimorar e ascender a economia com tal medida. Assim, o intuito é restaurar e regulamentar a relação do trabalho no Brasil. Evidentemente, outras deliberações devem ser tomadas, pois, de acordo com Confúcio, “Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”.