A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 20/11/2020
Como já muito bem defendido pelos sociólogos Francisco de Oliveira e David Harvey, o neoliberalismo é uma corrente mundialmente hegemônica e tem como característica fundamental a defesa das políticas de austeridade e de redução dos direitos e dos gastos com o trabalhador. Hoje, pode-se notar essa ideologia se expressando, por exemplo, na nova tendência chamada de “uberização” do trabalho.
Foucault também acrescenta, através de sua genealogia, que a ideologia hegemônica dita a narrativa presente na sociedade e que os indivíduos, submersos nela, a interiorizam e passam a defendê-la. Por isso, é possível notar um discurso, pautado nos conceitos de empreendedorismo e na lógica meritocrática, que cria a ilusão de que o fenômeno de uberização é apenas decorrência natural do avanço tecnológico no mercado de trabalho e não um projeto muito bem estruturado para atender aos interesses do empresariado mundial.
Enquanto isso, o Estado abre concessões para que o empregador se desvincule cada vez mais do empregado, perdendo a obrigação de garantir as condições mínimas para o trabalho, como alimentação, transporte, seguro de vida, etc. - direitos conquistados com muita luta pelos movimentos sociais organizados e sindicais - e fazendo com que o trabalhador arque sozinho com esses cuidados e despesas. Assim como ocorrido com a reforma trabalhista aprovada durante o governo de Michel Temer.
Dado que o objetivo dos capitalistas sempre será o lucro e, consequentemente a redução dos gastos com a mão de obra, faz-se necessário que o Estado garanta legalmente os direitos dos trabalhadores; no entanto, nos últimos quatro anos, a tendência dos governantes brasileiros tem sido a de alinhamento aos interesses do empresariado e do sistema financeiro, ao invés de proteger a classe proletária que representa, hoje, aproximadamente setenta e cinco por cento da população nacional adulta.
Para alterar essa tendência, é fundamental que os brasileiros se apropriem desse debate, consolidem suas reais necessidades e que passem a exigir, seja pro pressão social, pelo voto ou por outros mecanismos de participação popular existentes, que os governantes, sobretudo do Congresso Nacional, rejeitem as propostas que atacam os direitos dessa classe, que trabalhem para estreitar a comunicação entre o governo e a população e assim entender quais são suas demandas e projetar novas leis a fim de atendê-las; respeitando, então, aos interesses da maioria nacional.