A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 21/11/2020
Hoje em dia quando alguém está com fome e quer algo rápido e já pronto a pessoa pega seu celular e pede uma refeição em algum aplicativo de entregas. Esse é um mercado que gera muito dinheiro e emprega milhares de pessoas sem necessariamente se vincular à elas, parece ser uma ótima oportunidade para alguém desempregado e que precisa de algo naquele momento (e pode ser). Porém, devemos analisar até que ponto essa liberdade da era tecnológica vai e onde a precarização começa.
Primordialmente, o intuito desses aplicativos é gerar uma fonte de renda informal para praticamente qualquer um, a pessoa apenas entra no site, se cadastra e pronto, sem qualquer envolvimento trabalhista que garanta seus direitos ou algo do tipo. E é aí que está o problema, os contratantes não se responsabilizam por qualquer acidente, roubo ou dano que ocorrer ao motorista, e também não têm que pagar um salário fixo e muito menos décimo terceiro, aposentadoria, planos de saúde ou afins. O “contratado” não tem nenhuma segurança ou garantia. Está por si só.
Ademais, têm os problemas de segurança - principalmente em serviços como “Uber” ou “99” - onde o passageiro não precisa informar nenhum dado pessoal, colocar foto de perfil e até o nome pode ser falso, o que dificulta qualquer investigação em caso de crimes cometidos. No dia 4 de Novembro de 2020 o motorista e youtuber Marlon realizou um protesto junto com outros motoristas em frente a sede da empresa Uber reivindicando mais segurança e reajuste das taxas - que eram as mesmas há quase 2 anos -. A manifestação já surgiu alguns efeitos, como a possibilidade do motorista negar corridas em dinheiro, mas ainda há muito a ser feito.
Portanto, para solucionar os problemas citados seria necessária a intervenção do governo federal, cobrando das companhias que se responsabilizem pelos funcionários, com a criação de vínculos empregatícios e sindicatos, com o objetivo de garantir a segurança e a renda caso haja algum imprevisto. Também seria papel dos governantes cobrar que as empresas exijam dos usuários que coloquem seus dados pessoais - como RG e CPF - além de cadastrarem uma foto de si, para que o motorista os reconheça, e em caso de descumprimento, suspensão da conta por um período de tempo.