A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 21/11/2020
Liberdade sem direitos
A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) no governo Getúlio Vargas aumentou os direitos dos trabalhadores brasileiros. Porém, com os avanços tecnológicos do século XXI, o desemprego estrutural cresceu nos últimos anos, juntamente com a precarização do trabalho, principalmente manual. Sendo assim, a partir da terceirização, o trabalhador tem a liberdade de escolher sua forma de trabalho e fugir da precariedade da mão de obra existente em muitas empresas.
Nessa conjuntura, com a Terceira Revolução Industrial, ocorreu uma desvalorização do trabalhador e de sua força produtiva e a exaltação do conhecimento técnico e das novas tecnologias. Isso acontece porque com a crescente produção de máquinas, a mão de obra humana torna-se prescindível, assumindo apenas alguns postos de trabalho que, em sua maioria, são acompanhados de péssimas condições. Sendo assim, surge o “precariado”, termo usado por Ruy Braga para definir o proletariado submetido a precárias situações de trabalho, ferindo os direitos garantidos pela CLT.
A partir da precarização da mão de obra manual e o desemprego estrutural, os trabalhadores buscam por outras formas de ganhar dinheiro. Isso foi possível pelo crescimento de empresas que promovem serviços terceirizados e praticamente autônomos, como Uber e iFood, que possuem aplicativos por meio dos quais os usuários podem, da maneira que quiserem, oferecer seus serviços, de maneira informal. Assim, a “uberização” do trabalho dá a liberdade às pessoas que preferem não ser submetidas a condições precárias em troca de um salário mínimo e escolhem labutar por conta própria e decidir a sua forma de trabalho.
Portanto, é necessário aceitar as mudanças do capitalismo e seus impactos nas relações trabalhistas atuais. A terceirização ou “uberização” promove uma maior liberdade ao trabalhador, que encontraria em trabalhos formais desprezo à sua força produtiva e possível desemprego acarretado pelo avanço das máquinas. Assim, por meio dessas novas estruturas empregatícias, homens e mulheres podem se tornar donos de sua própria força de trabalho ao invés de se submeter às decisões e condições promovidas por outras pessoas.